07 julho 2008

Acupuntura para asma


Pesquisadores desvendam parte do mecanismo de ação da acupuntura no tratamento da asma; eficácia já vinha sendo comprovada na prática.




Tosse, chiado, falta de ar, sensação de aperto no peito. Quem sofre de asma ou convive com um portador da doença sabe o quanto ela pode comprometer a qualidade de vida.




Somente nas últimas décadas, a medicina ocidental começou a constatar o que a oriental já defendia havia 5.000 anos: a acupuntura é um método eficaz para combater a doença e uma alternativa aos medicamentos convencionais como os broncodilatadores (bombinhas, por exemplo).


Brecando a doença




As crianças devem ser as principais beneficiadas pelos bons resultados da pesquisa. "A acupuntura é capaz de retardar a evolução da alergia e evitar que a asma se torne crônica", afirma o ortopedista Ysao Yamamura, chefe do setor de Medicina Chinesa do Departamento de Ortopedia da Unifesp e orientador do trabalho.




Para os adultos, a boa notícia é que a técnica oriental ajuda a atenuar os sintomas da doença.




Um estudo também conduzido pela pediatra Elisabete Carneiro, entre 1997 e 1999, com 54 crianças que participavam do grupo de acupuntura infantil, revelou que a freqüência, a intensidade e a duração das crises de asma diminuíram após 30 aplicações da técnica.




A acupuntura reduziu ainda o número de infecções de repetição como amigdalite, otite e sinusite.




Antes de serem tratadas com acupuntura, todas as crianças usavam broncodilatadores. Depois das aplicações, apenas 5% delas precisaram recorrer a esses medicamentos.




"As limitações foram superadas. As crianças voltaram a praticar atividades típicas da infância, como correr e andar de bicicleta. Também recuperaram peso e estatura", comemora Elisabete, que coordena o grupo de acupuntura infantil da universidade. "Os broncodilatadores só tratam os sintomas e não atacam as causas do problema", complementa.




A asma é a segunda doença crônica mais comum na infância. Caracterizada pela inflamação das vias aéreas (brônquios e bronquíolos), a asma leva à destruição da membrana que cobre o pulmão, a pleura. Por causa dessa inflamação, os músculos ao redor dos brônquios se contraem e a passagem do ar fica mais difícil.




Dados do Ministério da Saúde estimam que 35% dos brasileiros sofrem de doenças alérgicas; entre elas a asma, que atinge quase 16 milhões de pessoas e é a quarta maior razão de internações no Sistema Único de Saúde (SUS).




Alessandra Pereira


Sociedade Paulista de Pneumologia

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