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16 junho 2010

Uma visão cabalista sobre o líquido da vida, a água.


agua3_1024x768 De acordo com a Cabalá, a água é igualmente a força espiritual e física da terra e de todas as suas criaturas. Acrescentando, antigos cabalistas diziam que a água carrega os segredos da cura, longevidade e eventualmente a realidade da vida eterna para a espécie humana. Eles acreditavam que a hidratação espiritual e física do corpo humano era a chave para a regeneração das células e a imortalidade do corpo físico.


Pesquisas feitas sobre os procedimentos cabalísticos para infundir a água de propriedades terapêuticas conduziram `a criação da Água Mineral da Montanha Kabbalah



AS MARAVILHAS DA ÁGUA


A água é composta de hidrogênio e oxigênio. Uma molécula de água consiste de dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio - H2O. A Terra tem sido chamada com freqüência de o "Planeta Água", e por muito boas razões.


Mais de 70% da superfície do planeta é H2O. 70% do peso dos organismos vivos que habitam este planeta consiste de água. Nos dias de hoje, nosso globo tem aproximadamente o mesmo volume de água que existia por aqui quando o planeta foi formado; na verdade, a água que você está bebendo hoje pode muito bem conter as mesmas moléculas da água que os tiranossauros rex beberam cerca de 60 milhões de anos atrás!


A água é a substância mais comum encontrada na terra e ao mesmo tempo, a única substância que é encontrada em três estados diferentes: líquido, sólido e gasoso.


97% da água existente sobre o planeta é salgada encontrada nos sete mares.


3% é de água potável.


1% somente, da água potável está disponível para o consumo humano, os restantes


2% formam as calotas polares.


· O oceano mais salgado da terra é o Mar Morto( entre Israel e Jordânia) que apresenta 9


vezes mais sal que os demais oceanos;


· O Oceano Pacífico é o maior oceano existente com 166 milhões de Km2.


· O Maior mar, é o Mar do Sul da China que possui 3 milhões de Km2.


· O maior lago de água potável é o Lago Superior( Na América do Norte) o qual mede


82.103 Km 2.


· O Rio mais longo do planeta é o Rio Nilo na África, o qual percorre 6.670 Km até o mar.


MEDIDAS PRECISAS


A precisão da distância entre o Sol e a Terra é essencial para a existência de vida no nosso planeta. Essa distância em particular é necessária, para que a água exista em todos os seus estados - gasoso, líquido e sólido( gelo). Se essa distância fosse ligeiramente diferente, a terra seria uma rocha sem vida vagando pelo espaço.


O CORPO HUMANO


75% do cérebro humano é composto de água.


70% da pele que cobre o corpo é água.


O corpo humano pode sobreviver até cinco semanas sem se alimentar, mas apenas poucos dias sem água!


A água talvez seja o mais poderoso reagente químico para a perda de peso. A água ajuda o corpo a metabolizar a gordura armazenada no organismo. O aumento de consumo de água na verdade reduz os depósitos de gordura no corpo. A diminuição no consumo de água em contrapartida, tem efeito contrário.


De acordo com Donald S. Robertson:
Os rins não podem funcionar adequadamente sem um volume adequado de água. Quando eles não trabalham de acordo com sua capacidade, parte da gordura contida nos alimentos é descarregada no fígado. Uma das funções primárias do fígado é metabolizar a gordura armazenada transformando- a em energia utilizável pelo corpo. Mas, se o fígado tem de realizar parte da tarefa dos rins, ele não pode cumprir seu papel. Como resultado, ele metabolizará menos gordura fazendo com que mais gordura permaneça armazenada no corpo e a perda de peso então cessa.



OS MISTÉRIOS DA ÁGUA


As propriedades físicas e químicas da água ainda são um grande mistério para a ciência. Na verdade, o adjetivo mais comum usado para descrever as qualidades da água é extraordinário!


Vamos examinar algumas razões porque:


SOLVÊNCIA


A água possui algumas propriedades muito estranhas.


A água se expande quando deveria na verdade se contrair e tem o poder de dissolver praticamente qualquer coisa que ela toque desde que lhe seja dado o tempo suficiente.


Não existe nenhuma substância conhecida que já não tenha sido identificada diluída nas águas da terra.


Sem essa exclusiva qualidade solvente da água, a vida não existiria porque é a água que transfere os nutrientes necessários para a vida animal e vegetal. Uma gota de água de chuva caindo através do ar, dissolve os gases atmosféricos. Quando a chuva atinge o solo, ela afeta a qualidade da terra, lagos e rios.


SÓLIDA, DENSA AINDA, LUZ


Tão longe quanto os químicos possam ir, a água simplesmente não se comporta da forma como a natureza espera. Por exemplo, a maioria das substâncias se tornam mais densas quando em estado sólido. Quanto mais densas se tornam, mais pesadas elas ficam. Como resultado, elas afundam quando em estado sólido. Menos a água.


Quando H2O se solidifica em gelo, ela se torna na verdade mais leve do que em estado líquido, o que é sem dúvida um fenômeno muito estranho. Conseqüentemente, o gelo flutua sobre lagos e oceanos. E isso é uma coisa muito boa porque camadas de gelo continuam flutuando no topo das águas quando as temperaturas caem abaixo de zero. Por que esta inexplicável qualidade se torna um recurso tão importante da água?


Se a água se comportasse de maneira normal, os sete mares e todas as outras formas de água congelariam do fundo em direção à superfície. Como resultado, todas as formas de vida que estivessem sob a água seriam destruídas.


Em outras palavras, se a água se comportasse de maneira normal, você não estaria aqui agora lendo isto.


Essas camadas de gelo flutuante também proporcionam um importante efeito isolante impedindo a água dos lagos de se tornarem mais frias além de um determinado limite e deste modo, preservando a vida nas represas.


CONDUTORA DE CALOR


A água também possui uma enorme e incomum capacidade de absorver e transportar calor. Esta particularidade é crítica na manutenção da estabilidade das temperaturas sobre a terra, prevenindo grandes flutuações. Perdendo esta extraordinária qualidade, nosso ambiente se tornaria extremamente volátil com perigosas ramificações para todas as formas de vida. Alem de regular a temperatura do planeta a água também regula a temperatura do corpo humano carregando nutrientes e oxigênio para as células, articulações, protege órgãos e tecidos, alem de remover os detritos.


A alta capacidade de aquecimento da água torna possível para as correntes marinhas de carregar o calor de uma maneira bastante eficiente. Estima-se que a corrente do Golfo carregue um energia equivalente à queima de 160 bilhões de quilos de carvão por hora. O calor carregado pelas correntes oceânicas na verdade previne a perda da vida marinha em função das adversas condições de flutuação da temperatura.


REFRESCANTE


A água possui um alto ponto de evaporação resultando em transpiração tornando-se um método efetivo para refrescar o corpo. Este alto ponto de evaporação também previne as fontes de água nos trópicos de se evaporarem muito rapidamente.


COAGULAÇÃO


A água possui um alto valor de tensão de superfície. É a tensão de superfície que se torna um fator crítico no mecanismo de coagulação do sangue. Quando você se corta, é o alto valor de tensão de superfície da água que torna o processo de coagulação do sangue eficiente.


NÃO GASOSO


Se a água se comportasse de forma normal ela se tornaria um gás à temperatura ambiente. Mas ela não o faz. Se o fizesse, isto significaria que não mais existiriam rios, lagos, riachos ou oceanos neste planeta. E o corpo humano, o qual é composto de 80% de água, se evaporaria. Nosso sangue seria como fumaça, uma mistura gasosa, e então a vida, como a conhecemos, simplesmente não existiria.


DESAFIANDO AS LEIS DA GRAVIDADE


A água tem uma enorme propriedade de se elevar. A água tem o poder de se mover para cima contrariando as forças da gravidade. Esta ação é chamada de Ação de Capilar. Você pode testemunhar a ação Capilar quando a água se filtra através de uma toalha de papel. Esta propriedade única é muito valiosa pois ela permite à água subir nas árvores e plantas trazendo nutrientes do solo. Esta façanha é conseguida pela ação Capilar.


PODEROSO TRANSMISSOR


A água é um excelente condutor de corrente elétrica. A alta condutividade da água transforma a condutividade dos nervos num sensível e efetivo mecanismo para o corpo. As células nos nossos corpos também estão cheias de água. A incrível habilidade da água de dissolver tantas substâncias permite às nossas células o uso de nutrientes valiosos e substancias químicas no processo biológico.


O transporte de íons de célula para célula somente ocorre em função da presença da água.



UM LÍQUIDO MISTERIOSAMENTE FEITO PARA A VID


É muito importante observar como as forças da natureza obviamente desenharam as estranhas qualidades da água para precisamente prover as necessidades das criaturas vivas sobre a terra.


O porque da água estar imbuída dessas extraordinárias propriedades para dar a vida, foi explicado pelos antigos cabalistas cerca de 5000 anos atrás.


De acordo com a Cabalá, a água é uma sombra, um reflexo, e a expressão física da força espiritual que existe nos mundos superiores. Essa força invisível é a origem e a fonte metafísica para a existência da água (H2O)


A água é um reflexo do que?


Qual é essa força misteriosa que coloca a água nessa esfera de existência?


De acordo com os cabalistas, a água é a manifestação física da Luz do Criador.


(Luz líquida).


Vamos examinar esta idéia mais profundamente: De acordo com os antigos cabalistas e físicos contemporâneos, o mundo real é composto de 10 dimensões.


Como Luz espiritual se desdobra descendo através dessas 10 dimensões tornando-se incrivelmente densa, transforma energia espiritual em matéria física. Esse processo evolucionário é responsável pelo surgimento da água no nosso mundo físico.


Este segredo Cabalista está revelado no seguinte verso dos escritos do cabalista Rabbi Isaac Luria no século 16:


"A linha de ligação é como um estreito tubo através do qual a Luz Superior do Mundo Infinito se estende e é drenada para os mundos inferiores através do ar e do vácuo"


No início do século 20


O cabalista Rav Yehuda Ashlag explicou que esses tubos se referem às 10 dimensões que formam a realidade, também conhecidos como as 10 Sefirós ou 10 emanações. O vácuo é relativo ao nosso universo físico o qual passou a existir quando a Energia Infinita do Criador (O Mundo Infinito) se contraiu e criou um espaço vazio no qual o nosso universo teria nascido. Essa contração foi a causa do Big Bang e das origens do nosso universo.


No século 16


O cabalista Rabbi Isaac Luria explicou que a frase " Águas da Luz Superior" se refere à energia espiritual do Criador que existe no Mundo Superior. Quando esta energia entra pelo "tubo" viajando através das 10 dimensões em direção ao mundo material, ela se torna "gradativamente menor em seu valor e toma a forma da água".


Por este motivo, porque a água é a coisa mais próxima na terra para incorporar a Luz do Criador, ela possui propriedades misteriosas que a tornam uma das mais exclusivas substâncias da terra.


AGENTE CURADOR


Aproximadamente há 4000 anos atrás, os cabalistas afirmaram que a água possuía todos os segredos da cura, longevidade, regeneração e eventualmente da imortalidade das células humanas. Cerca de 400 anos atrás, o cabalista medieval Rabbi Abraham Azulai explicou que os segredos da imortalidade seriam revelados no ano 5760 do Calendário Hebraico (equivalente ao ano 2000 no calendário Gregoriano) e que estaria conectado às misteriosas propriedades da água.


Interessante, muitos séculos depois, o Dr. Alexis Carrel, ganhou o prêmio Nobel em 1912 pela fisiologia e pesquisas sobre a imortalidade das células. O Dr. Carrel afirmou:


"A célula é imortal. É apenas o fluído (água) no qual ela flutua que degenera. Renovar este fluído a intervalos regulares, dá às células o que lhes é necessário para sua nutrição, e pelo que sabemos, a pulsação da vida pode continuar ali para sempre."


LUZ CIRCUNDANTE


De acordo com os antigos sábios que compilaram textos para a Cabalá e para o Talmud, o corpo humano está envolto por um campo de energia chamado Luz Circundante. Esta Luz se estende 88" (220cm) desde o corpo físico e funciona como uma camada de ozônio. A camada de ozônio protege as criaturas vivas da nociva radiação ultravioleta emitida pelo sol.


A Luz Circundante trabalha de uma maneira semelhante, protegendo-nos como um escudo, de todas as forças negativas existentes no nosso ambiente. Quando nos comportamos com intolerância em relação aos outros e ou com um comportamento egocêntrico, nós literalmente provocamos buracos em nossa Luz Circundante, criando aberturas para o mal entrar em nossos corpos.


2000 anos após os cabalistas terem falado de um campo de energia que circundava o corpo humano, a Dra. Valerie Hunt, professora emérita da UCLA, começou a mapear sucessivamente as camadas de bioenergia através da utilização de equipamentos de gravação eletrônicos de última geração. A Dra. Hunt é de opinião que os campos de bioenergia são cruciais na determinação da boa saúde e na cura , dando eco às opiniões de seus antigos colegas da Cabalá. Os cabalistas vão ainda um passo adiante, estabelecendo uma conexão entre doenças, campos bioenergéticos e água.


Cabalisticamente, sabemos que a água e a Luz espiritual possuem a mesma essência. De acordo com os antigos ensinamentos da Cabalá e recentes descobertas da ciência, os campos de bioenergia que circundam o corpo físico ajudam a proteger, curar e nutrir o indivíduo. A água trabalha de maneira semelhante.


Por exemplo, o fluido amniótico (água) circunda e envolve o feto dentro do ventre de sua mãe para efeito de proteção e nutrição.


A água, também circunda todas as células do corpo humano, servindo a um propósito similar ao do fluido amniótico.. A água funciona como um condutor de forma que todos os nutrientes são transportados a cada uma das células do corpo. De acordo com a Cabalá, é a qualidade da água que determina o estado e a condição da célula.


A ÁGUA SEGUNDO O CABALISTA RAV BER


Qual é a força energética interna que faz com que a água se comporte como ela faz?


O que é conhecido com relação ao fenômeno da água, é sua habilidade de rejeitar a forte força da gravidade. A água vai procurar o seu próprio nível, ao passo que todos os outros elementos no universo, incluindo o homem, estão subordinados e sujeitos à energia da força de gravidade, a qual atrai todos os elementos, exceto a água, para dentro de sua característica própria de gravidade. Este caráter constantemente recebe e atrai tudo para si mesmo.


Nas disciplinas cabalísticas, a água é considerada como possuidora do traço da energia de compartilhar, similar à força de compartilhar da Luz de D'us.


A essência da água é a substância mais próxima que retrata e simboliza a Energia do Criador a qual está compartilhada e no controle de todos os outros elementos físicos do universo. Por exemplo, mesmo uma rocha sólida se rende e cede à investida de um contínuo gotejar de água apresentando finalmente um furo.


Da mesma maneira, a água contém esta incrível energia como a de D'us que deveria e pode eliminar todas as interferências e obstáculos que continuam a aumentar a sua feia cabeça dentro de nossos corpos. Então, por que nós não experimentamos esta enorme e benéfica propriedade terapêutica da água nos nossos dias?


Vamos examinar as razões por trás da aparente inabilidade da água de mudar dramaticamente as condições de saúde dos nossos corpos.


NOÉ E O DILÚVIO


Os cabalistas atribuíram a presente condição e caráter da água às suas perdas por ocasião do evento bíblico conhecido como A Inundação ou Grande Dilúvio ocorrido durante os tempos de Noé.


Antes da grande inundação, a água, por causa de sua positiva essência divina, não poderia ser utilizada como instrumento para causar o caos e a destruição. Como resultado de uma extrema negatividade da atividade humana, a qual de acordo com a Cabalá influencia fortemente o cosmos inteiro e a atmosfera física, o poder curativo da água foi removido e com ele a degeneração do corpo humano se instalou.


Isto poderia ser comparado a uma represa que se torna estagnada porque não há água potável que continue correr para limpar e remover os resíduos que causam a estagnação. Na medida em que o corpo humano é constituído de 80% de água, aí reside a razão do porque a água exerce uma influência e controle tão grandes sobre a saúde e o bem estar do corpo físico.


Antes de Ter ocorrido o Dilúvio, o propósito de beber água era no sentido de remover qualquer impureza que o corpo pudesse ter acumulado e alem disso havia extrema longevidade para todos aqueles que viveram antes do Dilúvio. A água simplesmente lavava e removia qualquer obstáculo e alimento que aflorasse dentro do corpo.


Após o Dilúvio, o poder da água não mais pode atuar no corpo e remover os resíduos negativos acumulados. Isso consequentemente, resultou numa aceleração no processo do envelhecimento e desintegração do corpo humano. Com a perda da água atuando como um agente curador, os médicos vieram a descrever o processo de degeneração que tem início usualmente à partir dos 21 anos. É conhecido da ciência já há muito tempo que as células se renovam a cada 7 anos começando a contagem na data do nascimento.


Com a idade de 7 anos ou com a idade de 126, existem todas as indicações de que a imortalidade poderia continuar produzindo um novo corpo a cada 7 anos de intervalo. Entretanto, alguma coisa aconteceu à partir dos 21 anos quando repentinamente a ciência detectou o início do processo de degeneração. As causas para estas mudanças no processo de rejuvenescimento e regeneração das células é ainda desconhecido.


Cabalisticamente, as razões para esta súbita mudança no corpo humano foi muito bem documentada mas este conhecimento vai alem do objetivo deste artigo específico.


Porque a nossa água potável perdeu a energia capaz de remover qualquer obstáculo à partir dos 21 anos, o resultado é um enfraquecimento e uma deficiência em nosso sistema imunológico.


A ciência começou a reconhecer que cada queda física sofrida pelo corpo durante a vida, é o resultado direto de uma quebra no nosso sistema imunológico.


Se o sistema imunológico fosse restaurado com o nível de eficiência existente nos primeiros 14 anos de vida se estendendo ao restante de vida inteira, então parece não haver dúvida nenhuma de que muitas das imperfeições e doenças que aparecem na vida mais avançada seriam eliminadas.


Se fosse o caso, então a idéia da imortalidade e como ela poderia ser alcançada estaria solucionada. Nós simplesmente nos regeneraríamos a cada 67 anos como uma jovem criança e o problema da velhice simplesmente desapareceria.


RESTAURAÇÃO DA ÁGUA


Depois de quatro anos de esforços concentrados estudando a possibilidade de restaurar a água para sua forma e condição original de antes do Grande Dilúvio, é com grande humildade que nós fomos merecemos da informação de que conseguimos em grande parte restaurar a água para seu adequado papel na existência.


Cerca de 5000 anos se passaram desde que os poderes curativos da água chegaram ao fim. Nós podemos apenas sumariar que como resultado do novo milênio, no ano bíblico de 5760 (ano 2000 no calendário gregoriano), o fim do caos e da degeneração finalmente chegaram.


A restauração da estrutura molecular da água ao seu estado pré Dilúvio, durante o qual o cosmos a preencherá com a energia imortal do Criador, irá finalmente trazer definitivamente o término da dor, sofrimento e doenças que tem feito parte do cenário da humanidade.


A CABALÁ PESQUISA SOBRE A ÁGUA - Análise feita pelo Dr. Artur Spokojny


Uma técnica fotográfica especial que capta a reflexão da luz ou emissão de fótons da água agrupada ao redor de minerais revelou estonteantes modificações na estrutura da água depois que ela foi infundida de meditações cabalistas.


A água não tratada mostrou um padrão normal: casuística, caótica e sem ordem aparente. As primeiras imagens revelaram um sistema alto em entropia, desordenado e baixo em energia.


A água tratada apresentou um incrível estrutura como uma árvore ou uma folha. Esta estrutura observada na natureza, segue os desenhos matemáticos dos fractais. A natureza inerente aos fractais é de infinitos níveis de ordem. Isto indica que a água tratada apresenta alta energia e baixa entropia.


Desta maneira podemos concluir que o método cabalista para purificar H2O converteu a água de alta entropia e baixa ordem em uma água altamente estruturada com baixíssima entropia de uma maneira tal que os níveis de energia são preservados à ordem infinita.


De um ponto de vista científico, não pode existir dúvidas de que a água sofreu uma dramática mudança na estrutura de suas propriedades físicas e químicas. Isto é confirmado por teste independente feito pela UCLA, que indicou um alto nível de TSD(Totalidade de Sólidos Dissolvidos) . Portanto, podemos esperar concluir, que a água tratada dissolve os minerais diferentemente e, pode ser responsável pela mudança do PH e outros importantes parâmetros, os quais determinam o nível energético da água.


Esses resultados abrem uma completamente nova gama de alternativas para futuras pesquisas e hipóteses. Temos que fazer a nós mesmos a pergunta, se podemos aceitar ou não que aquilo que se viu sob o microscópio representa a manifestação da Luz e da Energia do Criador como clamado pelos cabalistas, e se afirmativo, possa essa energia ser transferida para o nosso corpo reduzindo a entropia pela energização da água contida nas nossas células.


É minha opinião de que essas imagens indicam que reduzimos a entropia e revertemos a 2ª lei da termodinâmica, a qual os cabalistas consideram ser o aspecto negativo da matéria física.


Dr. Artur Spokojny é cardiologista treinado e formado da maneira clássica. Ele se graduou na Universidade de Dusseldorf e foi o primeiro estudante Europeu jamais admitido na Escola de Medicina de Harvard onde completou seus estudos. Spokojny que foi um dos desenvolvedores de instrumentos a laser para o tratamento de doenças cardíacas ocupa uma cadeira do Cornell Medical College e mantém uma posição destacada no New York Presbyterian Hospital. Desde 1988, ele é o Diretor Assistente do Centro de Cateterização no Hospital de New York


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31 maio 2008

Viver para amar - Lawrence Kelemen



Durante os últimos 13 anos tive o privilégio de estudar com um grupo essencialmente de anciãos judeus em Jerusalém que conduzem suas vidas de acordo como seus antepassados conduziram milhares de anos atrás. Estas pessoas têm a mente centrada num único objetivo de preservar a sua cultura e costumes, assim como seus pais e avós. Pelos seus olhos eu sou um ganho, um vislumbre de como as comunidades judaicas de muito tempo atrás abordavam a vida em geral e as questões educacionais em particular. Estes judeus tradicionais representam uma mina de ouro.
Eu nunca me esquecerei da noite em que um estudioso tradicional judeu falou sobre a centralização do amor. Enquanto seus alunos, sentados ao seu lado estavam prontos para ouvir e assimilar aquelas instruções, o professor ergueu um grande volume da Torá, abriu-o, e começou a ler: "Veja que eu [D'us] coloquei perante ti a vida e o bom, a morte e o mal; e estou mandando você amar..."
O estudioso de idade avançada parou, fechou seus olhos, pensando profundamente. Então, de olhos ainda fechados, repetiu, "eu coloquei perante ti a vida... e eu estou mandando você amar." Ele trouxe o livro mais perto de seus olhos, piscou os olhos para ver a minúscula impressão, e leu o comentário do sábio espanhol do século 11, Rabino Abraham Ibn Ezra: "Este verso nos ensina que a vida é para amar."
O mestre do talmud fechou seus olhos novamente. Então, repetiu, "A vida é para amar."Toda criatura tem seu propósito, e o nosso é fazer amizades, criar proximidade.
Atenção é a chave Hoje, meus colegas da UCLA e Harvard estão alcançando os judeus tradicionais de Jerusalém. Os pesquisadores mais antigos acreditam que as crianças são melhores quando criadas em lares em que a vida é para amar, ou seja, em que há amor pela vida. Principalmente as pessoas na universidade estão começando a enfatizar a importância da atenção e do afeto, dois pilares da abordagem judaica tradicional para a criação dos filhos.
O primeiro passo em ser afetuoso com uma criança é ser sensível as suas necessidades e atendê-las. Isto não é uma tarefa fácil. Muitos pais novos estão surpresos pela dificuldade em sustentar a sensibilidade e a atenção durante o dia e a noite. Não temos escolha, pois o amor e a atenção e tudo o que eles representam são cruciais para o desenvolvimento da criança.
Quando estamos atentos às necessidades de uma criança, despertamos uma sensação de segurança e confiança, que os psicólogos chamam de afeto, e este dá as crianças a força interna que precisam para lidar com as tensões que virão mais tarde em sua vida. Quando os pesquisadores em Nova Jersey avaliaram os níveis de afeto em meninos de 1 ano de idade e depois acompanharam as crianças por vários anos, eles viram que 40 por cento dos meninos inseguros no afeiçoamento, mostraram sinais de psicopatologia, comparados a 6 por cento dos meninos que tinham segurança em sua conexão com os pais.
A pesquisa também liga a auto-estima com pais atentos. Além disso, os pais atentos não só produzem filhos que tem uma boa auto-estima como também esta auto-imagem positiva dura por 20 anos. Num estudo em mulheres criadas em Islington, na Inglaterra, investigadores descobriram que crianças criadas por pais mais responsivos tinham duas vezes mais probabilidade de ter imagem própria positiva quando adultos do que aquelas criadas por pais menos responsivos. E crianças que se sentem bem consigo mesmas têm aspirações mais altas, têm um desenvolvimento melhor na escola, ganham melhores salários quando crescem, e lidam com o estresse de forma mais eficaz.
Muitos pais se preocupam com o fato de que muita atenção pode enfraquecer a independência e confiança do filho. Mas, oposto é verdade. "As crianças que experimentam uma satisfação consistente e considerável das necessidades no início não ficam 'deterioradas' ou 'dependentes," explica o Dr. Terry Levy, Presidente da "Association for Treatment and Training in the Attachment of Children", ("Associação para Tratamento e Treinamento de Afeto das Crianças") "Elas se tornam mais independentes, seguras e confiantes."
As crianças choram menos freqüentemente e por menos tempo depois de seus primeiros nove meses, quando os responsáveis por ela respondem prontamente às suas necessidades durante seus primeiros nove meses. Reciprocamente, as crianças que não recebem atenção suficiente no começo tendem a ser muito grudada aos pais, sofrer de ansiedade na separação, e responder com pânico quando levado a explorar o mundo afora ou quando ficam com pessoas diferentes das que cuidaram delas.
Cuidados na noite As crianças precisam sempre de respostas sensíveis e isto ocorre principalmente à noite. A combinação de sonolência e escuridão faz com que as crianças se sintam mais vulneráveis. Temos que nos esforçar muito para ficarmos atentos para a angústia/aflição da criança durante a noite.
O ato de ignorar os gritos das crianças de noite está tragicamente ilustrado durante a única experiência cultural moderna em que crianças foram voluntariamente afastadas de seus pais durante as horas de sono. Começando nos anos 30, os pais que viviam em kibbutzim seculares de Israel preferiram que suas crianças dormissem longe de casa, em instalações públicas para crianças. O tamanho destas instalações tornava impossível atender prontamente a toda criança que chorava, mas os pioneiros do kibutz achavam que suas crianças se ajustariam com este fato, de terem menos atenção.
Porém, os estudos comprovaram que as crianças deste kibutz, que dormiam nestas instalações, sofreram de muitas desordens psicológicas, inclusive traumas de privação de afeto, depressão, esquizofrenia, baixa auto-estima, e problemas com álcool e droga. Em 1994, mais de metade das crianças israelitas dos kibutzim exibiram sintomas e psicopatologia associadas à insegurança na afeição, a falta de afeto.
O Professor Carlo Schuengel, um pesquisador da Universidade de Leiden (Países Baixos), repetiu as descobertas de muitos pesquisadores ao descobrir a causa da desintegração psicológica experimentada pelas crianças do Kibutz: "Embora o fato de dormir coletivamente possa permitir a monitoração da segurança das crianças, isso as deixa com uma sensação limitada e precária de segurança."
Como os dados revelados mostraram os danos que as crianças poderiam sofrer dormindo em instalações, os líderes do kibutzim abandonaram a experiência. O última instalação foi fechada em 1998.
Chorar? Espantosamente, algumas crianças estão sendo expostas a este tipo de experiência em sua própria casa. O programa de treinamento do sono "deixar chorar" oferece aos pais uma alternativa efetiva para os incômodos do cuidado da criança durante a noite. Os psicólogos Behavioristas que estão por detrás deste plano comprovam que quando os gritos da criança durante a noite não são respondidos, elas param de chorar dentro de três dias. Embora o programa tenha sido elogiado como "um novo, método revolucionário de ensino para que as crianças durmam a noite toda", isto não é nada mais que uma revivificação da desastrosa experiência do kibutz, e o que realmente ensina as crianças é o desespero.
As pessoas são atraídas pelo método do "deixar chorar" pela mesma razão pela qual são atraídas para muitas outras técnicas destrutivas de criar uma criança: elas oferecem uma rápida melhora. Porém, pedagogos inteligentes levam em conta os bens, em longo prazo, de toda as estratégias para criar uma criança. Ignorar o choro da criança durante a noite, pode, eventualmente, trazer tranqüilidade, mas não traz segurança.
Deste modo, crianças treinadas com este método despertam mais freqüentemente durante a noite, dormem menos eficazmente, e ficam mais cansadas durante o dia do que as crianças em que os pais foram mais atentos. Além disso, crianças destituídas de conforto à noite correm o risco de terem vários tipos de psicopatologias descobertas entre as crianças do kibutz.
Criar um ambiente cuidadoso Os pais mais atenciosos vão muito mais além do que o cuidado durante a noite. Por exemplo, durante o dia, os recém-nascidos anseiam por um olhar de seus pais ou de quem cuida deles. Eles visualizam objetos de 7 a 12 polegadas distante, exatamente a distância necessária para ver os olhos dos pais quando estão em seus braços.As crianças também respondem com prazer e interesse quando lhes mostram uma máscara de um rosto humano. Quando a parte mais baixa da máscara é coberta, a resposta da criança não muda. Porém, quando um olho da máscara é coberto, as crianças expressam desgosto e apatia.
Quando as crianças amadurecem, elas ainda precisam da atenção dos pais. As crianças entre 1 e 3 anos prosperam quando brincamos com elas, e as pré-escolares adoram quando lemos histórias para elas. Não importa muito para a criança do que brincamos ou que história lemos, desde que estejamos lhes dando toda a atenção.
Já as crianças do primário precisam que os pais escutem-nas recontar as aventuras do dia, e freqüentemente repetirão as mesmas histórias inúmeras vezes só para segurar nossa atenção. Elas querem nossa participação nas suas lições de casa e nos seus jogos. Se nossas crianças aprendem que podem contar com nossa atenção mesmo nos anos em que quase não precisam dela, que é no começo, elas continuarão a contar conosco durante a adolescência também.
O ingrediente de afeto
A afeição é muito mais do que somente atenção. A atenção exige que sejamos responsivos às necessidades da criança. Já o afeto é o próximo passo. É o ato amoroso, a maneira mais poderosa de transmitir o amor. Precisamos fazer esforços especiais para colocarmos este ingrediente mágico em nossas interações.
As mães de Uganda tendem a ser mais atentas e responsivas do que muitas mães Americanas. A Dr. Mary Ainsworth, Professora de Desenvolvimento de Criança na Universidade de Toronto e na Universidade de Virgínia, descobriu que as crianças de Uganda são muito mais seguras afetivamente do que as de um grupo em Baltimore. Mesmo que as mães de Uganda não expressam sinas de afeto como abraços ou beijos, os bebês de Uganda muito raramente manifestam qualquer padrão de comportamento próximo ao afeto.
Conter o afeto tem conseqüências. O Dr. Ainsworth descobriu que as crianças que foram privadas de afeto tratavam uns aos outros de modo indiferente. O Dr. Kevin MacDonald, Professor de Psicologia da Universidade do Estado de Califórnia, em Long Beach diz que este tipo de comportamento é previsível. As crianças que crescem em sociedades menos afetuosas expressam menor comportamento social e altruísta. Já os pais mais afetuosos tendem a produzir um comportamento mais social e amoroso.
O afeto também prepara as crianças para a amizade e intimidade. Uma pletora de literatura científica diz que as crianças que recebem mais afeto tendem a ter mais interações positivas e amizades mais íntimas. O Dr. Bowlby fala que as crianças que crescem em ambientes afetuosos tendem a casar e permanecer casados mais do que as criadas num ambiente sem afeto.
Prevenção da delinqüência Os abraços neutralizam a delinqüência. Assim dizem os pesquisadores do Centro da Universidade Médica de Duke, que compararam históricos de crianças normais com os de delinqüentes. Depois de verificarem uma série de fatores, os pesquisadores de Duque descobriram que a afeição paterna é o ingrediente ativo. Eles concluem sua pesquisa afirmando que, "Os meninos violentos provavelmente não tiveram pais que os abraçasse ou expressassem afeição verbalmente."
Criminologistas da Universidade de Illinois e Northeast também afirmam que a falta de afeto dos pais é "o prognóstico mais importante da delinqüência crítica e persistente." Os sociólogos da Universidade de Wisconsin e da Universidade do Estado da Flórida ao revisarem a literatura psicológica, também encontraram "ausência de amor, afeto, ou o carinho dos pais" associado a agressividade, delinqüência, abuso de drogas, e a criminalidade.
Preparando as crianças para a bondade Os psicólogos se diferem em relação ao fato de como o amor cultiva a bondade. Alguns sugerem que as crianças simplesmente estão mais dispostas a aceitar os valores dos pais e professores que têm a figura autoritária mais afetuosa. Outros propõem um mecanismo biológico, argumentando que a afeição desenvolve algumas partes do cérebro responsáveis pela conscientização e internalizacão da orientação moral.
O Dr. Harry Chugani, neurologista do Hospital das Crianças de Michigan, revelou em 1998 que as crianças criadas em ambientes privados de amor mostraram um evidente metabolismo anormal numa área especifica do lóbulo temporal do cérebro que envolve a função social. "Podemos supor," Chugani diz, "que o quê vimos nos testes esta relacionado a negligência, a uma falta de interação materna com a criança numa fase crítica."
Um grupo liderado por Elinor Ames, da Universidade britânica de Simon Framor, em Columbia, conduziu o que muitos julgam ser o estudo mais completo sobre crianças criadas em orfanatos romenos e concluíram sua experiência, "A experiência num orfanato tende a refrear todas as áreas da inteligência [inclusive] a motora, personalidade social e desenvolvimento da linguagem."
Juntando todos os ingredientes básicos do amor, a atenção e o afeto, constituem os fatores mais importantes no desenvolvimento humano. O amor não é apenas um luxo.
Arrumar tempo para o amor Praticamente, todos esses dados significam que precisamos ter muita atenção e afeto, e que isto leva tempo, mais tempo do que a maioria das pessoas pensa. Uma mãe americana que estudou em Stanford e na Universidade da Califórnia, tendo um grau avançado de estudo, confessou recentemente, "Enfrentei todos os desafios acadêmicos, inclusive escrever minha tese de doutorado, mas nada disso se compara ao desafio que enfrento agora para criar meus três filhos."
Freqüentemente, encontrar tempo para os filhos é o aspecto mais difícil para a educação dos pais. O Dr. Bowlby tratou deste desafio durante sua palestra para a equipe psiquiátrica do Hospital Michel Reese, em 1980:
Cuidar de um bebê ou de uma criança de até 3 anos é como um trabalho de 24 horas por dia, sete dias na semana, e com certeza um dia será mais preocupante do que os outros. E ainda que a carga diminua um pouco quando a criança fica mais velha, se ainda estiverem florescendo, exigirá muito tempo e atenção.
Para muitas pessoas hoje estas são verdades desagradáveis. Dar tempo e atenção para as crianças significa sacrificar outros interesses e atividades. Porém, creio que as evidências do que estou dizendo são irrepreensíveis. Estudo após estudo... atestam que adolescentes saudáveis, felizes e confiantes são os produtos de casas estáveis em que pai e mãe dão muito tempo e atenção para as crianças.
Muito antes de o primeiro filho nascer, devemos estar conscientes do fato de que nossa vida irá mudar dramaticamente, e que sacrifícios deverão ser feitos.

Crianças solitárias Hoje nos Estados Unidos, mais de 60 por cento das mães de crianças pequenas trabalham. Mais de metade dos pais americanos dizem não ter tempo suficiente para cuidar de seus filhos. Realmente, durante os últimos 20 anos, o tempo médio que os pais passam por semana com os filhos diminuiu para 12 horas.
O adolescente americano passa três horas e meia do dia completamente sozinho todo dia, e nas palavras de um repórter da Newsweek, "A solidão pode se estender até a noite. O almoço para esta geração não passa de um toque no botão de esquentar do microondas".
Os internos pediátricos dos orfanatos da Romênia têm somente 10 minutos de conversação por dia. Um adolescente dos Estados Unidos fala mais ou menos sete minutos por dia com sua mãe e cinco com seu pai. A autora Patricia Hersch, ao descrever as experiências que teve escrevendo um livro sobre a adolescência em Virgínia confessa: "Toda criança que eu falei disse que queria mais adultos em sua vida, especialmente seus pais".
Perigos da profissão O Homem tem muito a ganhar e pouco a perder quando sua esposa vai trabalhar. Eles se beneficiam da renda adicional, e são menos sensíveis a solidão de seus filhos do que as mães. Como o professor da Universidade de Yale, David Gelernter explica:
A maioria das mães, suponho, valorizam muito mais os interesses dos filhos, acima do dinheiro, poder ou prestigio, e ainda são assim. E afirmo que os maridos mais típicos têm muito prazer em mandar suas esposas trabalharem. A sociedade costumava impedir que os maridos pressionassem suas esposas (publicamente ou sutilmente) a deixarem as crianças e conseguirem um trabalho. Não mais.
Mulheres, por outro lado, têm um estresse muito grande tentando equilibrar as exigências do trabalho com o cuidado dos filhos. Sem dúvidas, as mulheres têm uma carreira dupla com a casa e o trabalho. A colunista da Times, em Nova Iorque e mãe de dois filhos, Anna Quindlen, fala:
Betty Friedan escreveu em "The Feminine Mystique" ("A Mística Feminina")" que a pergunta para as mulheres nesses tempos é: "Isto é tudo?" Agora, é claro, nos sentimos diferente. Espero que isto seja tudo, porque não consigo lidar com mais do que isso.
Até a feminista radical de 1960, Sara Davidson, admitiu em 1984, "Como conciliar família e carreira é o assunto crucial não resolvido nas vidas das mulheres." Ela expressa as frustrações de milhões de mulheres quando escreveu, "Passo a maioria do meu tempo com três coisas: bebê, trabalho, e manter o casamento em ordem. Acho que posso lidar com dois maravilhosamente, mas três me levam a exaustão."
A tensão freqüente das mulheres no trabalho tem conseqüências na saúde. Os pesquisadores da Universidade de Duke descobriram que mulheres que trabalham tempo integral com um filho em casa excreta níveis mais altos do hormônio da angústia a cortisona do que os homens ou mulheres que trabalham tempo integral sem crianças em casa. Um estudo com as mães que trabalham tempo integral na Inglaterra descobriu que as mulheres que trabalham possuem 50 por cento mais enfermidades e danos à saúde do que as mulheres que ficam em casa cuidando de seus filhos.
Outros estudos descobriram também que as mães que trabalham recebem "pontuações mais altas para sentirem estresse e a pressão de tempo" entre os adultos dos Estados Unidos, ou seja, apresentam uma "tensão maior" e baixa auto-estima, mais do que as donas de casa com crianças que adotam um padrão de "menos atenção para seu bem-estar e saúde própria" a fim de lidar com o papel de mãe.
As mães que trabalham podem também se privar emocionalmente de seus recém-nascidos, evitar a ansiedade da separação ao retornarem a seu trabalho. "Muitos pais que trabalham se guardam contra a intimidade com suas crianças, o que pode trazer dor quando voltam a trabalhar," diz T. Berry Brazelton, Professor de Pediatria da Universidade de Harvard, "É muito doloroso reconhecer a proximidade somente para depois desistir dela".

Evitar o assunto
Muitos pais que têm essa dupla carreira sabem que há algo faltando, mas a procura por soluções não compromete suas carreiras. O mais velho truque de chamar a vovó não é mais uma opção válida desde que a maioria das avós já trabalham também. Um folheto distribuído pela MCI Telecomunicações oferece alguns serviços tecnológicos: enviar mensagens por fac-símile, fita com histórias gravadas para a hora de dormir, gravar eventos das crianças e mostrar enquanto os pais estão fora. Até mesmo o pai muito ocupado para registrar suas próprias histórias para a de hora de dormir podem contar com a era da informática, especialmente se vive em Nova Iorque, onde há um serviço de contador de histórias por telefone que cobra 0,85 centavos por minuto.
Muitas mães se voltam para o programa de cuidado das crianças, o daycare, mas esta solução falha em duas coisas. Primeiro, o custo é muito alto, e segundo esses programas não oferecem algo de que as crianças mais precisam: atenção e afeto.
Pesquisadores da Universidade de Chicago e da Universidade de Illinois demonstram que muitas crianças normais, de até oito meses, colocadas neste tipo de programa começam a sofrer desordens ao torno dos 12 meses de idade. Eles concluem a pesquisa com uma advertência, "As repetidas separações diárias sofridas pelas crianças cuja mãe trabalha tempo integral constituem um fator de risco para psicopatologias."
O Dr. Jay Belsky, professor da Universidade do Estado da Pennsylvania, também fala dos perigos de deixar a criança como a "insegurança afetiva, agressividade exaltada, desobediência, e afastamento."
Prover as necessidades emocionais de nossos filhos não é fácil. As crianças precisam de amor. Elas não conseguem prosperar sem nossa atenção e afeto. Se isto exige que organizemos novamente nosso estilo de vida, é algo de qual nunca lamentaremos depois.
Se viver é para amar, então as coisas habituais que os anciãos judeus de Jerusalém enfatizam, como estar sempre presente, dar um abraço e um pouco de carinho é, realmente, um grande negócio.

http://www.aishbrasil.com.br/new/artigo_viver.asp

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23 abril 2008

Qabalah e Thelema



























































































































Texto de Leândro Gaia (Frater Centaurus)



Há na Natureza duas forças que produzem um equilíbrio, e os três são= simplesmente uma única lei. Eis o ternário resumindo-se na unidade e, juntando-se a idéia de unidade à do ternário, chega-se ao quaternário, primeiro número quadrado e perfeito, fonte de todas as combinações numéricas e princípio de todas as formas. (...) O tetragrama cabalístico: Yhvh, exprime Deus na Humanidade e a Humanidade em Deus.
(Eliphas Levi, in Dogma e Ritual da Alta Magia)



(...) 7. Pois duas coisas estão feitas e uma terceira coisa se inicia. Ísis e Osíris cederam ao incesto e ao adultério. Hórus salta triplamente armado do ventre de sua mãe. Harpócrates, seu gêmeo, está oculto dentro dele. Set é sua aliança sagrada, que ele deverá exibir no grande dia de MAAT, que está sendo interpretada pelo Mestre do Templo da A:.A:., cujo nome é Verdade.

8. Agora, nisto é o poder mágico conhecido.
(Aleister Crowley, in Liber A'ash vel Capricorni Pneumatici)




Do what thou wilt shall be the whole of the Law


Nada mais difícil do que pretender discorrer sobre um assunto tão complexo, intrincado, polêmico e explana-do por grandes mestres do que a Qabalah. Esta tradição esotérica que tanto permeia as filosofias e ope-rações dos magistas da história tem origens tão obscuras quanto dogmáticas. A versão mais conhecida é a suposta recepção desta por Moisés, que teria recebido-a de Deus no monte Sinai como um código secreto para a interpretação dos cinco livros da Lei Judaica. Alguns outros defendem a idéia de que ela tenha sido revelada pelos anjos a Adão para que este pudesse voltar ao Paraíso depois do pecado original. O que se sabe em termos históricos é que a Qabalah surgiu em conseqüência de um longo e complexo desenvolvimento que se iniciou com o Misticismo Merkabah.

Merkabah (carruagem em hebraico) foi a primeira forma de misticismo judaico, anterior à Qabalah como conhecemos hoje. No século II (E.V.) houve uma fusão de um grande número de tendências, como afirma Gerson Scholem: "A Cabala, do ponto de vista histórico, pode ser definida como um produto da interpretação entre o Gnosticismo Judaico e o Neoplatonismo". Durante este período, existiam o Gnosticismo Cristão,
o Gnosticismo Judaico, o Neoplatonismo, o Neopitagorismo, o Hermetismo (filosofia pseudo- egípcia) e muitos cultos obscuros, todos permeando-se de maneiras sutis. Idéias de todas estas religiões e filosofias acabaram por constituir o que hoje se conhece como Qabalah Hermética.

A raiz da palavra Qabalah é a expressão hebraica QBL, que significa "da boca para o ouvido", o que reforça a noção de tra=dição oral como sua principal forma de transmissão durante toda a antigüidade. Também signi-fica revelar e receber, o que enfatiza sua profunda relação com a descoberta da Natureza Interior. A verdade é que traços desta que hoje entendemos como hebraica podem ser encontrados desde os primórdios da hu-manidade, nas culturas Sumeriana, Egípcia e Babilônica. Também muito do que forma sua atual estrutura vem de documentos escritos e publicados por filósofos, magos e sacerdotes da antigüidade, o que desmistifica a noção de ser uma tradição puramente oral.

Todas estas tradições acabaram por ser incorporadas e sintetizadas no documento conhecido como Sepher Yetzirah, que é um sumário das primeiras idéias do misticismo judaico, mas cuja origem é controversa, em-bora seja uma obra que descreve a criação do Universo em termos de letras do alfabeto hebraico e de núme-ros simbólicos indubitavelmente relacionados ao Neopitagorismo. Mais tarde, no início da Idade Média, surgia o Sepher-ha-Bahir, que contém a primeira referência a uma "Árvore Secreta" a às Sephirot como recipientes da Luz Divina.

A partir de então, outros documentos surgiram (como o Zohar) e a Qabalah foi se desenvolvendo em todo o decorrer da Idade Média, sendo utilizada e "reformulada" pelos Médicis (diz-se que inclusive, = sob seu patrocínio, é que surgiu o "casamento" da Qabalah com o Tar= ô), os Rosa-Cruzes e até pelo criador do sistema Enochiano e Mago da Rainha Elizabeth I da Inglaterra, John Dee. O surgimento da Aurora Dourada, no movimento ocultista do final do séc. XIX, trouxe a Qabalah novamente à luz, fazendo-a chegar inclusive aos conhecimentos do então futuro Arauto do Novo Aeon, a Grande Besta 666, Aleister Crowley. É através da luz desta "nova" interpretação que explanaremos o funcionamento da dinâmica das esferas e caminhos nesta que é a ciência que engloba a todas as outras.



Love is the law, love under will





As Sephirot e a Árvore da Vida

A compreensão de todo o sistema preconizado pela Qabalah, quando já dividido e categorizado, parece sim-ples e bem definido com suas manifestações já sedimentadas e absolutizadas. Na verdade ele não é. A frag-mentação das manifestações é apenas um artifício usado para melhor compreensão e aplicabilidade do siste-ma. A Qabalah é um sistema contínuo, interdependente, fluído e indivisível. Nenhuma Sephirot ou atributo existe por si só, mas apenas como um reflexo e receptáculo de uma complexa gama de reações em cadeia de diferentes vibrações e gêneros ressonando como uma manifestação do TODO e do NADA, em princípios opostos equilibrados pela sua síntese.

A especialização das esferas (Sephirot) nada mais é do que o reflexo dos diferentes níveis de consciência e manifestação desta nos planos do real. Esta noção é fundamental no sentido de fazer o leitor a perceber a ilusão de todo o sistema. Ele não é absoluto, mas sim um mero alfabeto que auxilia o magista na hora de mi-nistrar e interpretar suas experiências. Qualquer coisa pode ser relacionada neste alfabeto e as esferas po-dem ser preenchidas ao gosto do operador, levando em consideração apenas sua natureza intrínseca. Este é o grande diferencial entre a Qabalah Hermética e a Judaica. Enquanto a primeira é um sistema interrelacio-nável pragmático onde tudo pode ser sincretizado com tudo, a Judaica é dogmática no sentido de encarar as esferas como manifestações de Deus próprias e não correspondentes às outras culturas e panteões.

Como estudo nada mais é do que método, e como toda esta complexidade já foi organizada para nossa faci-lidade, começaremos agora a detalhar e esclarecer cada nível e esfera da Árvore da Vida.





Ain Soph Aur (O Nada)

Antes da primeira manifestação de existência (Kether, a primeira esfera) existe um conceito extremamente abstrato cuja compreensão não pode ser delimitada exclusivamente à elucubração racional. É a não- exis-tência, o não ser que antecede a toda a Criação, o caos imanente de onde se auto-gerou o primeiro princípio. Ele é chamado de Ain (nada), Ain Soph (sem limite), Ain Soph Aur (luz sem limite). Não podemos esperar de início compreender sua vastidão de não existência brincando com palavras, podemos apenas esperar captar um leve e breve vislumbre do que ele seria, para que isto se desenvolva conosco até nosso crescimento de consciência pleno. Como a própria Bíblia diz: "No começo, não havia nada".

Nisto é que está o véu do não ser, o Nada Absoluto que se densificou num ponto mínimo e imensurável de contração gerando a primeira explosão da manifestação que é a Coroa (Kether). É como se houvesse uma relação sexual entre o Nada-Totalidade ("feminino"= ) com o Nada-Indivisibilidade ("masculino"), gerando o "Um̶= 1; perfeito e resumitivo de todo o processo. Recorramos à matemática para auxílio: 0º=1; sendo 0 = (...-3, -2, -1) + (+1, +2, +3...). O zero, portanto, pode ser entendido como a totalidade, já que é a soma do infinito positivo com o infinito negativo. É como se houvesse o processo inverso do de criação de um buraco negro, sendo este último o acesso para o retorno às origens do universo (lembrando sempre que o significado da palavra "religião" é religar-se).

Crowley identificou em seu panteão duas "deidades" relativas= ao Ain Soph Aur: Nuit e Hadit. Nuit, a Grande Deusa do Céu Noturno que curva seus membros abraçando toda a Terra, que é representada pela noite es-trelada, seria o Nada-Totalidade, a Noite de Pan. Hadit, seu parceiro, representado pelo Globo Solar Verme-lho e Alado, seria o Nada-Indivisibilidade, a estrela interior de cada ser humano indestrutível e pessoal. Parafraseando o Livro da Lei: "Todo homem e = toda mulher é uma estrela (Hadit)" no céu azul noturno de Nuit. Porém, quanto mais falarmos sobre este tema, mais complicado e difícil ele se tornará. Cabe aqui apenas o conselho da meditação para que tenhamos uma "noção" inicial do que isto poderia ser.




1. Kether (Coroa)

A palavra Kether significa Coroa, e esta esfera representa a realeza no seu sentido pleno de onisciência, onipresença e onipotência. É a primeira manifestação surgida do Nada, o primum mobile (primeiro movimen-to), e é relacionável com Deus, o Princípio. Um de seus símbolos é o ponto, o que nos faz refletir sobre sua ainda extrema abstração. É relacionada com o Sahasrara Chakra, o chakra que se localiza acima da cabeça, e talvez por isso a denominação de Coroa. A consciência plena deste chakra, que resulta da elevação da Kundalini (Energia Sexual), a Serpente, é o Samadhi dos Budistas, o Nirvana dos Hindus.

A correspondência de todas as esferas da Árvore da Vida com o corpo humano nos leva a uma conclusão ao mesmo tempo extasiante e assustadora para alguns: Deus é o Homem e o Homem é Deus. Digo assustadora porque muitas pessoas fogem desta responsabilidade imensa, que é carregar todo o Universo nas costas, apenas pelo fato de nossa consciência mundana não estar aperfeiçoada o suficiente (e é aí que entra a Magia e a Meditação) para tal.

Este princípio inicial e final da existência, que também tem a suástica como representação, juntamente com a próxima esfera, que é Chokmah, forma o mundo de Atziluth da Qabalah, o mundo do Fogo do Puro Espírito, representado pelo naipe de paus do Tarô. É aqui que se encontram os Arquétipos.

Crowley chamava este mundo de Cidade das Pirâmides, e relacionou à esfera a "deidade" Ra-Hoor-Khuit,
uma referência à mudança de e= ras e ao assumir do Trono de Ra do deus-falcão solar egípcio que traria
seu gêmeo Hoor-par-kraat (Harpócrates) como a existência oculta dos dois universos (positivo e negativo). Como aqui ainda reinam as abstrações, mais elucubrações seriam inúteis.




2. Chokmah (Sabedoria)

A esfera de Chokmah (trad.: Sabedoria) é a primeira esfera de divisão da dualidade. É o princípio masculino por excelência, o grande falo do Universo. Seu número é dois e sua representação é a reta, a união de dois pontos. É a energia masculina do Espírito que se direciona para todos os lados como que num grande impulso de poder visceral de criação, o Yod do nome YHVH. Deus, O Pai, é relacionado a essa esfera. Esta força imensa, a qual Crowley chamou de Chaos e identificou Therion (a Besta) na sua forma mais pura, será constringida e absorvida por Binah, a próxima esfera, a primeira feminina, e fecundará seu ventre para
gerar o Universo manifesto.

A Esfera do Zodíaco é uma simbologia desta Sephirot, que está no topo da coluna masculina, ou Pilar da Misericórdia, e é a força e a energia criativa. O deus Hindu Shiva é relacionado a essa esfera que, junta-mente com a Coroa, encerra o mundo do puro espírito, da consciência que transcende o eixo espaço-tempo.




3. Binah (Compreensão)

Situa-se em oposição a Chokmah, sendo a esfera da constrição, da forma, no topo da coluna feminina, ou Pilar da Severidade. É o receptivo do fluxo intenso do princípio masculino, sendo a "Grande Mãe" por excelência. Inicia e encerra aqui o mundo cabalístico de Briah, a Água, e é representada pelo naipe de
copas no Tarô. É o útero arquetípico do Universo, o primeiro He de YHVH.

Esta é a esfera de Saturno e é a última antes do abismo de Daath. A deusa Kali, a decapitadora de homens,
é relativa a esta Sephirot. Aqui é a realidade onde se atinge a primeira consciência absoluta do Universo e
é relacionada com Ajna Chakra, o "terceiro olho". Cr= owley identificou nela a Grande Deusa Nossa Senhora Babalon, a Prostituta da Babilônia, noiva do Chaos (Chokmah) e mãe das abominações (o abismo e o univer-so manifesto).

É bom ressaltar aqui que essa dualidade de esferas, que se dividem em pilares feminino e masculino, não deve ser encarada com raciocínios maniqueístas de bem e mal. Todos os opostos na Qabalah são neces-sários como extremos de um equilíbrio sempre transcendido em uma esfera que resume ambos. Não é possível haver construção sem destruição, nem vida sem morte, nem tudo sem nada. Todas as manifes-tações, das mais refinadas e contidas às mais grosseiras e abomináveis são, sem escala de valores, manifestações do Divino que se relacionam com o Altíssimo. Nada é verdadeiro, tudo é permitido.
Passemos agora para Daath, o Abismo.




11. Daath (o Abismo)

Creio que, após o Ain Soph Aur, o Abismo de Daath, a décima primeira esfera, é o tema mais complexo e difícil de ser explanado. De certa forma, ele engloba tudo aquilo que pode ou poderia ser uma explanação, verbalização, manifestação perceptível, conclusão, preceito ou dogma. Aqui é que se encontra a hipertrofia de toda a ilusão do Universo e de todas as esferas abaixo dele, que vão de Chesed (4) a Malkuth (10). É Visudhi Chakra, o Chakra do pescoço, que, segundo os Hindus, é onde são gerados os pensamentos. Aqui é o habitat de Mara, o senhor da ilusão segundo os Budistas, ou Choronzon, o monturo de lixo do Universo de cuja travessia nasce o Magister Templi, segundo Crowley.

A travessia do Abismo é dever de todo aquele que pretende chegar à consciência máxima do Ser, e é aqui que se vence toda a mentira da existência. Daath é considerada uma "esfera que não é esfera", = pois sua função é o desviar da atenção da verdade inexprimível através do pensamento. É o deserto de Apep, o inimigo de Osiris que precisa ser derrotado por este último para sua ressurreição. Aqui também estão os demônios da Goetia, os Qliphot, e os cinqüenta nomes de Marduk.

É como se houvesse uma dobra na Criação que criasse a divisão da realidade na ilusão do espaço e do tempo através daquilo que foi gerado em Binah. É o princípio do Universo manifesto reinado por Júpiter, que é a esfera de Chesed. A não aceitação da existência desta ilusão é que causa a queda e subseqüente falha na travessia em direção à deificação. Novamente aqui encaramos uma grande abstração, já que tudo que estamos fazendo aqui refere-se, de uma forma ou outra, a Daath.




4. Chesed (Misericórdia)

Esta é a quarta esfera da Árvore da Vida e a primeira abaixo do Abismo. Aqui se inicia o mundo de Yetzirah,
o mundo do Ar, o astral e reino do intelecto e dos valores morais. Este mundo é representado pelo naipe de espadas do Tarô.

Esta é a esfera de Júpiter, de Zeus. Aqui está Deus, o Misericordioso. Ela se opõe a Geburah, a esfera da força e da severidade, ambas sendo equilibradas por Tipheret, o Sol. Aqui estão os atributos da construção, do perdão e da soberania filosófica. Júpiter constrói em cima do que Marte (Geburah) destrói.

Aqui encontram-se a proteção, a sorte e a jovialidade. A demasiada concentração nesta esfera, no entanto, leva à auto-indulgência e à hipocrisia. É a esfera da expansão, sendo a regente dos movimentos de massa e das filosofias. Encontra-se no meio do Pilar da Misericórdia.

A partir de agora, os conceitos tornam-se mais simples e próprios, já que entramos no plano do inteligível e segmentado. Partamos agora para Geburah.




5. Geburah (Força)

É a esfera de Marte, regente das guerras, da justiça e da vingança. É a destruição, encontrando-se no meio do Pilar da Severidade. Equilibrando-se com Chesed, formam a força motriz da realidade manifesta. Como já dito antes, não há construção sem destruição, e vice-versa. Aqui encontram-se os relativos a tudo que o termo "marcial" pode invocar: a energia violenta, a determinação e a rígida disciplina. A força sexual é também atributo de Geburah.

Geburah nos ensina que às vezes é necessário sofrer certas dificuldades que mudam nossas vidas, nosso caráter. Chesed ajuda a retomar a estabilidade após estes eventos, e reconstruimo-nos a partir das cinzas do velho.




6. Tipheret (Harmonia)

Esta é a esfera central da Árvore da Vida, equilibrando Chesed e Geburah, sendo também o centro do Pilar do Meio, cujo topo é a Coroa (Kether) e a base é o Reino (Malkuth). Tipheret é o coração do rei e do reino. É o Sol e a Verdadeira Vontade, o Eu Superior de cada indivíduo, o Vau de YHVH.

Seus atributos são a beleza e a harmonia, podendo também dar a vida com o calor do sol tanto quanto destruí-la. A palavra Thelema (vontade) é a expressão máxima desta esfera, sendo que aqui está o Sagrado Anjo Guardião, cujo conhecimento e conversação dão ao magista a plenitude na Terra, sendo ele então senhor da realidade manifesta. É o Plexo Solar, ou Anahata Chakra.

To Mega Therion (A Grande Besta 666), a Vontade Solar-Fálica e o Eu Supeiror (que é o Anjo Guardião), é a expressão máxima de Tipheret. Aqui estão relacionados também Cristo, Buda e demais iluminados da humanidade. Aleister Crowley deu extrema atenção ao trabalho relativo ao Sol em sua carreira, sendo ele mesmo identificado com esta esfera como a Besta 666.

Sendo aqui a Verdadeira Vontade, princípio ativo da criação e expressão, aqui também está o princípio da Magia Sexual que, completo com Agape (amor), que é o princípio passivo e formativo da criação, são a base das técnicas sexuais de criação de elementais, como um reflexo do sexo superno de Chokmah e Binah. O Sol e Lua (esfera de Yesod) são os fenômenos perceptíveis dos opostos complementares da geração e gestação do Universo.




7. Netzach (Vitória)

Netzach é a esfera de Vênus, a esfera da emoção, do amor e da comunicação com os elementais e o astral. Relaciona-se com os sentidos e paixões, com a emoção de viver, o desfrutar de paixões instintivas. Netzach é tudo da personalidade que é espontâneo e instintivo, sendo sua experiência espiritual a Visão da Beleza Triunfante. Está na base do Pilar da Misericórdia, equilibrando-se com Hod (Mercúrio, o intelecto) no Pilar da Severidade.

Vênus, Afrodite e demais deusas de beleza e amor feminino são relacionadas a esta esfera. A deusa Oya (Iansã) do Candomblé também é Netzach, assim como Ogun é Geburah (Marte), Ossaguiã é Tipheret (Sol) e Xangô é Chesed (Júpiter). Innana, que é Ishtar, também é Netzach. É importante destacar aqui que o grande mérito de todo este sistema da Sagrada Qabalah é a possibilidade de entendimento de todos os panteões como aspectos, em essência, análogos às manifestações da Verdade Suprema. Tudo acaba sendo inter-relacionável com tudo.




8. Hod (Glória)

É a esfera de Mercúrio, a esfera da razão e do intelecto. É o regente da Magia, da Fala, do Comércio e da Dissimulação, dos ladrões e gatunos. Fica na base do Pilar da Severidade e é o Mensageiro dos Deuses, o deus Thoth egípcio, que é Hermes Trimegistro.

É, portanto, Exú, o dono dos caminhos e encruzilhadas e portador do Axé divino. Sendo a Mente Racional, é incapaz de emoções, pois o intelecto frio e astuto é seu atributo principal.

Sendo equilibrado com Vênus (Netzach), é importantíssimo como escriba e comunicador, sendo o Senhor e Conhecedor da Magia Ritual, bem como o enganador e falsário. Ambas as esferas, Hod e Netzach, são equilibradas pela próxima esfera, Yesod, a Lua.




9. Yesod (Fundação)

Yesod significa fundação pois relaciona-se à mente subconsciente, que é o alicerce, a fundação da persona-lidade, sendo também a substância etérica que é a fundação da vida. Seu astro é a Lua, que reflete para nós a luz do Sol. É o feminino complementar de Thelema, ou seja, Agape. Estando entre Tipheret e Malkuth no Pilar do Meio, representa o mundo das fantasias e imaginação, como também a anima mundi, ou alma grupal.

É Suadhistana Chakra, o Chakra do órgão sexual.

As deusas Diana e Ísis são correspondentes a esta esfera, assim como Perséfone (num aspecto mais "mórbido") e Oxum. É a luz astral, impressionável e maleável. É a percepção de que cada indivíduo, por
si só e isoladamente, pode penetrar dentro de si mesmo para perfazer sua evolução e trilhar o caminho da Magia. Sua principal inimiga é a preguiça, pois sem Agape, o indivíduo corre o risco de ficar estagnado em seu caminho.

Yesod encerra aqui o mundo astral de Yetzirah e, após ela, resta somente a última esfera, Malkuth,
o mundo físico.




10. Malkuth (o Reino)

É o mundo físico perceptível pelos cinco sentidos. O último He de YHVH. É a esfera final, que absorve
todas as outras e dá forma física às forças menos materiais. É Deus, o Fim. É o mundo de Assiah da Qabalah, o mundo da Terra, representado pelo naipe de ouros do Tarô. É também a base da Magia Ritual, devido ao simbolismo físico associado às forças mentais e emocionais de Hod, Yesod e Netzach, que procurará elevar o Mago cada vez mais alto em direção ao topo da Árvore. É ao mesmo tempo o portal da Morte, que levará o Mago ao adentrar dos Túneis de Set, a Serpente, que são os reinos inferiores relativos ao Abismo Infernal de Daath, onde o Mago estabelecerá suas raízes para que possa crescer até a copa da Árvore da Vida. Como diz Crowley em Liber Tzaddi: "Que meus discípulos mantenham suas cabeças = acima dos Céus, e seus pés abaixo dos Infernos".

É relativo a Kether no sentido de que um influencia o outro mutuamente através da comunicação e passagem das energias por todas as esferas de cima a baixo e de baixo para cima. Um não existe sem o outro e a alte-ração em um deles causa a alteração nos demais; todo Reino precisa de um Rei, e todo Rei precisa de um Reino. Inclusive, numerologicamente, o número 10 que é referente a Malkuth é o mesmo que o número 1 referente a Kether, pois o 0 é desconsiderado.

A Grande Deusa da bruxaria celta é também relacionável a Malkuth, assim como Obaluaiê ou Omulu no Can-domblé. Aqui é onde estamos para que possamos tomar a consciência do Divino e nos tornarmos o próprio Criador, através da evolução de nossa consciência, poder e clareza de visão. Só assim conseguiremos deixar de ser meros escravos da realidade e do tempo e espaço, nos tornando os verdadeiros artesãos de nossos destinos e conseqüentemente de toda a realidade.




Conclusão



Faz o que tu queres há de ser o todo da Lei.


Espero que esta pequena explanação em relação à Qabalah e aquilo que é relativo a Thelema tenha sido esclarecedora de algumas dúvidas mais basais sobre o assunto. Como este é um tema infindável e em qualquer esfera as elucubrações podem durar durante anos (quando não forem intermináveis), tentei resumir ao máximo os conceitos de modo que fosse possível dar o máximo de informação em um mínimo de espaço. Não pretendo aqui ser o "dono da verdade", nem mesmo exponho= aqui meus conceitos de maneira inquestionável, porém levei em máxima consideração o bom senso para que este diminuto tratado tenha a profundidade máxima possível.

Gostaria de saber a opinião de todos aqueles que porventura venham a ler este escrito, e espero ter contribuído de maneira positiva à Filosofia Thelêmica, elucidando alguns aspectos ora tabus entre muitos. Minha vontade foi a motriz para a realização deste, e a magia de libertação sua tônica. Agradeço a todos os meus Irmãos de Ordem pelo apoio e oportunidade, especialmente a Frater Piarus X', cujo apoio foi e é fundamental para nossa sobrevivência enquanto Ordem.


Amor é a lei, amor sob Vontade.



Frater Centaurus (Leândro Gaia)


Extraído do site Abrahadabra
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03 março 2008

Astrologia Kabbalística

Como a Kabbalah explica a astrologia?



A Astrologia judaica é citada tanto na Torá como no Talmud como um estudo necessário, e Abraão, o pai do judaísmo, foi o maior astrólogo de seu tempo, revelando pela primeira vez os nomes das constelações em seu livro Sefer Yetzirá (O Livro da Formação). É importante ressaltar que a astrologia judaica é considerada uma ciência, pois penetra nos campos da astronomia e de outras ciências, não devendo ser confundida com os horóscopos que encontramos nos jornais diários, pois mesmo quando encontramos informações que nos pareçam ser relevantes , devemos admitir que as informações do jornal são tão genéricas que poderiam se aplicar a quase todo mundo.


A Astrologia Kabbalística entende que todas as pessoas vêm a esse mundo com o objetivo de completar seu tikun ou correção espiritual ou ainda o que alguns chamam de karma.


A Astrologia também está relacionada com reencarnação. Sabemos que se não aprendermos as lições as quais viemos a esse mundo para aprender ou se não completarmos nosso tikun em uma encarnação, precisamos continuar voltando até que tenhamos aprendido nossas lições . A data, o local e o horário de nosso nascimento não são por acaso . A Kabbalah explica que o momento do nosso nascimento é na verdade o esquema de todas as nossas encarnações anteriores, tudo o que realizamos ou não em vidas passadas. Todos vêm a esse universo físico em um momento preciso no tempo que irá ajudar a corrigir o que não puderam corrigir em existências anteriores. As principais lições que precisamos aprender têm a ver com dignidade humana, tolerância e com compartilhar.


Freqüentemente pensamos que viemos a esse mundo para acumular bens e fortuna, ou para nos tornarmos pessoas famosas ou importantes , quando a verdade é que esses objetivos são apenas nosso destino temporário , enquanto seguimos nossa jornada espiritual. De acordo com a Kabbalah, não viemos a este mundo para sermos bons, mas sim para sermos melhores. E melhor é relativo ao ponto de partida de cada um de nós.


Não existe status-quo espiritual, mas trata - se de nos perguntarmos diariamente : hoje sou melhor do que ontem ?


Se nós apenas mantivermos o nível que tínhamos ao nascer, não teremos de fato realizado nada, espiritualmente falando.


Como os signos e os planetas influenciam nossas vidas?


Se pensarmos nos vários atributos dos signos astrológicos, perceberemos que alguns signos são melhores para iniciar coisas, outros são melhores em gerenciar e organizar; alguns signos são mais emocionais, alguns são mais frios e lógicos. Mas a verdade é a seguinte: cada signo contém interiormente todos os outros signos, mas em graus variáveis. Devemos ter em mente que os atributos e características de cada signo são meramente os efeitos da energia interna deste signo, não são a causa de nada.


Compreendendo a energia interna dos planetas regentes e das constelações que governam os signos astrológicos, entenderemos o porque por trás das características de cada signo e teremos nossa primeira pista do que precisamos realizar para fazer as correções necessárias, assim não teremos que enfrentar repetidamente os mesmos obstáculos . De acordo com a Kabbalah os atributos são meramente atributos, não são positivos nem negativos. A forma como os utilizamos é que irão determinar se eles são produtivos e proativos ou se são negativos e reativos , nos mantendo amarrados no circulo vicioso de dor e sofrimento.


Sabemos então que toda característica pode ser usada para um propósito positivo ou negativo. A única diferença é: qual é a consciência do indivíduo?


Se a consciência for de compartilhar, de tolerância e de dignidade humana, então mesmo algo que possamos considerar negativo será colocado para o uso positivo. Tomemos como exemplo um signo cujas características sejam a competitividade e a combatividade . Ninguém gosta de lidar com uma pessoa argumentativa, mas se essa consciência competitiva é aplicada internamente, usada para combater nossas próprias respostas negativas interiores, pessimismo e pensamento negativo, então isso se torna positivo.


A Kabbalah explica que os planetas em si são apenas transformadores , eles transformam energia espiritual em energia física, e embora essas forças nos influenciem, não precisamos nos sujeitar a elas. Como o Kabbalista Rav Berg sempre nos ensina, as forças da astrologia impelem , mas não compelem, estimulam , mas não forçam , significando que são forças astrológicas que nos afetam , mas não precisamos nos tornar suas vítimas .


Como podemos controlar as forças astrológicas?


Uma característica única da Astrologia Kabbalística é que não apenas ela lhe dá a informação, em termos de entendimento, quais são as características internas de cada signo, o porquê, e qual é a correção espiritual por trás de cada signo, mas também lhe dá as ferramentas para fazer a correção.


Essas ferramentas tomam as formas das letras hebraicas que, conforme já aprendemos, não são apenas letras em uma linguagem. Um dos maiores erros da humanidade foi achar que essas formas são simplesmente símbolos para uma linguagem chamada hebraico, de uso exclusivo do povo judeu. As letras hebraicas antecederam todas as religiões. De acordo com a Kabbalah, cada letra é na realidade uma entidade espiritual que teve participação na criação do Universo e dos planetas físicos. Cada planeta e cada signo estão associados a uma letra hebraica que os controlam, portanto, a cada mês, temos duas letras correspondentes ao período. Entendendo qual letra hebraica pode controlar cada força astrológica, podemos nos conectar a esse poder e nos elevar acima do destino com o qual nascemos. Esse é o poder das letras hebraicas: elas nos dão a energia para estarmos no lugar certo, no momento certo e de encontrar a pessoa certa no momento certo.


Nosso objetivo, ao estudar astrologia Kabbalística não é nos estimular intelectualmente, mas nos dar ferramentas reais para compreendermos e entendermos o porquê por trás das características que nos motivam, e mais importante, utilizando o acesso que cada letra hebraica pode nos dar, absorver a energia interna necessária para que possamos corrigir os obstáculos que nos perturbaram em encarnações prévias, e remover o caos de nossas vidas.


Rabino Joseph Saulton

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06 janeiro 2008

28 outubro 2007

ZOHAR


zohar_gd.jpgDe autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra. Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência?


O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet - a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa "recebimento" ou "o que foi recebido". Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D'us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do povo judeu.


Chamados de nistarim (literalmente "os ocultos"), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo-os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.


Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos. Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.


No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.


Livro fechado


O Sefer ha'Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.


Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão "codificados", impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.


Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.


Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus - pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.


O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder. Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos não-judeus e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental; que entenda e siga a Lei Judaica em todos os seus minuciosos pormenores.


O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia - a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos judeus neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.


Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma "biografia de D'us". Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot - que representam as maneiras pelas quais D'us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta - chamada de nistar - e em seus segredos místicos.


Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações de judeus. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia, proibida pelo judaísmo. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.


Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese - uma dissertação de homilias - e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot - as leituras semanais da Torá. A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.


Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.


Um breve histórico


Como vimos acima, os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos. Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D'us para fazê-lo.


Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como "a Chevraiá".


Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.


Por que teria essa obra magna permanecido escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu ! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.


O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.


Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha'Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas - ambos sefaraditas - da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.


Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.


Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo - como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov - que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.


A santidade da obra


Chamada também de Ha'Zohar ha-Kadosh - O Sagrado Zohar - esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus. Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.


O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder. Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido. E ele respondeu com uma citação do Talmud: "A luz que D'us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro". E onde está esta luz guardada", perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: "Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo".


Bibliografia


Tishby , Isaiah " The Wisdom of the Zohar - An Anthology of Texts"


The Littman Library of Jewish Civilization


Kaplan ,Aryeh, " Inner Space - Introduction to Kabbalah, Meditation and Prophecy " - Moznaim Publishing Corporation Bader, Gershom "


The Encyclopedia of Talmudic Sages", Jason Aronson Inc


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