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28 junho 2010

Viver como se não houvesse amanhã


diaadia539O destino de todos os seres vivos é a morte. Morrem flores, plantas, bichos, gente. Até mesmo as estrelas, que nascem em uma explosão de luz, chegam à finitude. Morremos um pouco todos os dias. Cada anoitecer nos relembra que mais um dia se passou em nossa vida. E isso nos deveria ser um alerta para os rumos que damos à existência. Mas por que a morte nos assusta de tal forma?



O sábio se prepara para morrer. Mas para a maioria dos seres humanos, a simples menção da palavra "morte" é um trauma. Não falamos de morte, como se falar disso pudesse atraí-la. No entanto, preparar-se para morrer é útil. Necessário mesmo. Não se trata de uma atitude mórbida, mas de naturalidade perante o ciclo que rege a vida. Naturalidade? Sim, pois em nossa vida a morte é uma certeza. Podemos até não saber quando e onde ela virá, mas virá certamente.




Países, idiomas e crenças são diferentes. Mas, paradoxalmente, a grande certeza que nos une a todos é a de que um dia nosso corpo estará morto. Por isso, vale a pena pensar de modo positivo na morte. Preparar-se para esse momento inevitável. A psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross narra, em seus diversos livros, o sofrimento das pessoas que não se prepararam para morrer ou para dizer adeus aos parentes e amigos.



A médica - que se tornou famosa no Mundo inteiro por seus trabalhos junto a pacientes terminais - observou que a maioria das pessoas traz pendências, assuntos não-resolvidos e traumas que eclodem na hora da morte.



É que não costumamos refletir sobre a nossa própria morte. Sempre a imaginamos muito distante. E, por isso, vamos adiando a resolução de pendências que poderiam ser solucionadas agora, com calma.



Portanto, vale a pena iniciar uma preparação. Quer uma fórmula simples?



Viva como se fosse o seu último dia. Faça o bem, seja amável e gentil.



Não deixe para amanhã as palavras de afeto, os gestos de amor. Diga à família o quanto você a ama. Deixe os papéis em ordem, os assuntos encaminhados.



Se há mágoas, esqueça, perdoe. Vire a página. Se há assuntos por resolver, esclareça, converse. Enfim, resolva.



Não deixe espaço para que um dia você lamente não ter falado na hora certa.



Viva a vida de forma simples e bela para que, ao encerrá-la, não haja muitos arrependimentos.



O músico Renato Russo tinha uma frase síntese para essa atitude: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".



Afinal, amanhã a morte pode ter vindo, silenciosa, bater à sua porta, ou da pessoa amada. E até o reencontro, então, poderá ser uma longa espera. Faça como o poeta Manuel Bandeira. Em um de seus mais inspirados poemas, "Consoada", ele fala sobre o dia em que a morte chegará e vai encontrá-lo preparado.



"Quando a indesejada das gentes chegar,



Talvez eu tenha medo.



Talvez sorria, ou diga:



Alô, iniludível!



O meu dia foi bom, pode a noite descer.



(A noite com seus sortilégios).



Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,



A mesa posta, com cada coisa em seu lugar".



Possamos, todos nós, aguardar a morte com a alma leve, a consciência em paz, um sorriso de dever cumprido pairando, suave, nos lábios pálidos.



Quando essa hora chegar, o seu dia - a sua vida - terão sido bons? Pense nisso!


Autor: Redação do Momento Espírita.


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29 julho 2009

Felicidade: Lições de uma criança


Quando se trata de felicidade não é necessário ler muitos livros, assistir a uma centena de workshops ou tirar um curso, basta observar e aprender com os maiores peritos na matéria, as crianças.


O estado natural de uma criança é a sorrir, basta estar junto de uma criança durante alguns minutos para ficar contagiado com a sua alegria. Claro que as crianças também se irritam, mas até aqui pode aprender uma ou duas coisas sobre a forma como elas rapidamente esquecem o motivo que as levou a alterarem o seu estado de humor. É normal que quando passa algum tempo com uma criança se comece a recordar de quando você também era criança e da vida simples e livre de preocupações que levava.


Fique com algumas lições que as crianças lhe podem ensinar sobre como ser realmente feliz.


1. Viva no presente


As crianças têm uma forma fantástica de viver a sua vida, vivem apenas um momento de cada vez. Os seus sentimentos são normalmente reflexo de um acontecimento que foi despoletado num espaço temporal bastante reduzido, ou seja os seus sentimentos apenas reflectem aquilo que lhes está a acontecer naquele momento. Por vezes têm pensamentos negativos, mas é normalmente por disputas relativas aos seus brinquedos, no entanto sempre que se distraem com alguma coisa nova rapidamente se libertam desses pensamentos e emoções.


Nós como adultos temos a tendência de nos mantermos chateados e revoltados bastante tempo depois de a acção que despoletou esses sentimentos ter passado. Somos peritos em acumular ressentimentos e preocupações, o resultado é que vivemos mais o passado do que o presente. Neste caso é compreensível que não se sinta feliz, quando para si o presente praticamente não existe e as coisas boas que vão acontecendo permanecem em segundo plano.


2. Mantenha-se focado naquilo que está a fazer


Quando uma criança está entretida com uma qualquer brincadeira ela está APENAS e totalmente concentrada nessa actividade e para ela nada mais importa. Ela não está ao mesmo tempo a pensar no que vai fazer a seguir nem naquilo que devia ter feito.


Os adultos costumam andar permanentemente stressados porque mantêm activas na sua mente actividades passadas e futuras sem se aperceberem que aquilo que verdadeiramente interessa é o que estão a fazer nesse momento. O futuro ainda está para vir e o passado já passou não se pode mudar, apenas podemos ter uma acção efectiva sobre aquilo que estamos a fazer.



3. Use a imaginação


Todas as crianças usam e abusam da imaginação, quer estejam a brincar ou a fazer um desenho. Adoram "fazer de conta" e ficam sempre super encantadas com histórias de magia e coisas que são humanamente impossíveis. Mas se pensar um pouco nisso a imaginação é a semente para a alegria. Quando você se deixa levar pelos seus sonhos, são libertadas endorfinas no seu organismo que lhe dão uma sensação de prazer, quase como se já estivesse a viver aquilo que sonha.


É engraçado que em adulto nos esquecemos de usar a nossa imaginação. Na escola fomos ensinados a ser mais analíticos e a deixar de parte a imaginação. Isso fez com que ficasse-mos mais rígidos em relação aquilo que fazemos e às coisas que achamos possíveis e atingíveis. E quando as coisas não acontecem de acordo com o esperado ficamos chateados, estamos menos susceptíveis a novas possibilidades, tudo porque fomos perdendo a nossa capacidade imaginativa.


4. O céu é o limite


Para uma criança tudo na vida é possível. O céu é o limite, têm toda a sua vida pela frente e ainda não foram limitados a ficar conformados com o "possível" e "alcançável", para uma criança basta sonhar e esperar que o sonho se concretize.


Lembre-se que nunca é tarde demais, pode ter 50, 60, 70 ou 120 anos, nunca é tarde demais para realizar os seus sonhos. Basta para isso que não permita que lhe digam que não é possível ou que o seu tempo já passou, não deixe que os outros limitem as suas acções. Nem muito menos se deixe conformar com o que tem, procure sempre realizar os seus sonhos. Viva sobre o lema, "alcançar o sonho ou morrer a tentar", vai ver que qualquer que seja o obstáculo será muito mais fácil sorrir quando sente que está no caminho certo.


5. Dê mais valor às coisas simples da vida


As crianças estão sempre alegres porque encontram divertimento em todas as coisas mesmo nas mais simples. Uma criança fica entusiasmada apenas com uma simples borboleta, quando salta para uma poça de água ou quando vai ao McDonalds. Elas não perdem tempo a analisar as situações nem assumem o pior nas pessoas nem nas mais estranhas situações. As crianças mantêm as coisas o mais simples possível.


A melhor forma de valorizar aquilo que tem é fazendo uma lista com tudo o que tem na sua vida pelo qual está agradecido. Tente lembrar-se daquelas coisas simples mas que sem as quais você não se sentiria feliz. Normalmente são as coisas mais simples que sentimos mais falta quando passamos muito tempo longe de casa ou quando nos separamos de alguém que nos faz sentir feliz. Ser agradecido por tudo o que já tem é um grande passo para se sentir muito mais feliz.



6. Cultive bondade interior e confiança nos outros


Todas as crianças têm uma intrínseca bondade e inocência. Elas não fazem nada com intenção de magoar ninguém nem pensam que alguém a queira magoar. Sem esse tipo de intenções ou preocupações é fácil estar apenas alegre durante todo o dia.


Imagine como seria o mundo se todos nós pudéssemos trabalhar em conjunto com confiança mútua. Os adultos deveriam aprender com as crianças e colocar de lado as suas diferenças e olharem uns pelos outros. O amor gera felicidade.


7. Tenha plena confiança em ver concretizados os seus desejos


É incrível a confiança que as crianças têm de que os seus desejos serão concretizados. Por diversas vezes vi uma simples criança dominar completamente um adulto com a sua persistência e sem nunca desistir de acreditar que vai conseguir os seus intentos. Acreditem que não é fácil resistir aos seus olhares profundos nem aos seus sorrisos rasgados, acabamos sempre por ceder.


Será que os adultos acreditam da mesma forma de que os seus sonhos serão realizados? Provavelmente não. Estamos demasiado viciados em preocupações desnecessárias e as nossas crenças limitam as nossas possibilidades. Mais uma vez aprenda a viver sob o lema "alcançar o sonho ou morrer a tentar", não se limite. Acreditar que é possível faz com que passe a ser possível. Apenas depende de si, todas as coisas que existem tiveram início no pensamento de alguém.


Em forma de conclusão, para ser feliz, tem de deixar a criança que existe em si assumir o controlo. Estar junto das crianças ajuda. Ao revelar a criança que tem em si vai começando lentamente a deixar de necessitar carregar o fardo do stress e das preocupações. Vai sentir-se muito mais leve e feliz.


Costuma lidar com crianças e tem aprendido algumas coisas com elas? Partilhe a sua experiência nos comentários.


Felicidade: Lições de uma criança


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12 junho 2008

¨Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos¨


¨Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos¨


Shakespeare




O sonho é mais uma forma de manipulação de desejos, sentimentos e aflições, podendo ser uma fonte reveladora da personalidade e de atos. Ao sonhar, acorda-se o inconsciente desligando o corpo e consciência. Passa-se a navegar nas mais profundas e secretas emoções, imagens vindas do nada, conteúdos formando um processo com início, meio e fim (mesmo que não nítidos) carregado de emoções e idéias.




O cérebro é como um arquivo. Muitas vezes, se faz necessário tirar o que não está interessando e jogar fora, para ter espaço e colocar algo no item de boas lembranças. Guardar objetos velhos e inúteis, manda duas mensagens ao cérebro: que não confia no amanhã e que não acredita conseguir o melhor, são entraves para prosperidade. O guardar tem o significado de que poderá faltar.




Não se deve esquecer do passado, das conquistas e das frustrações. Mas é importante não guardar sofrimento, teimosia, ódio, rancor, mágoas, sentimento de derrota, ressentimento. Essas sensações podem aparecer no corpo, somatizando (aparecendo como doença) que podem moldar a existência. ¨As pessoas são solitárias porque constroem paredes ao invés de pontes¨ (Joseph Newton).




É importante mudar pelo que pensamos e sentimos. A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. É preciso aprender a usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos. Seu corpo hoje: é o que pensou ontem; seu corpo amanhã: será seus pensamentos hoje (Deepak Chopra).




Se puder dizer: não preciso disso, não me traz benefício. Ser e estar aberto a novas situações, coisas boas começam a acontecer. Somos nossos pensamentos, logo tenhamos os melhores.




Afinal, você merece e sua vida agradece.






Rosangela Nery


rosangelanery@yahoo.com.br




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19 maio 2008

TRATADO DAS CIÊNCIAS MALDITAS por Stanilas de Guaita

Stanilas de Guaita (Marques Marie Victor Stanilas de Guaita - 6 de abril de 1867 a 19 de dezembro de 1897), que dizem ter sido um dos discípulos preferidos de Eliphas Levi, escreveu o Tratado das CIências Malditas composto por três títulos, baseados na sequencia dos Arcanos Mainores do Taro. O terceiro trabalho, não chegou a ser terminado, Stanilas faleceu antes.
Sua abordagem entretanto, não significa que foi um mago negro, pelo contrário, foi fundador e Grande mestre da Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix. Conteporâneo de Papus, de Eliphas Levi e outros ocultistas daquela época.


A seguir transcrevemos o Plano do Tratado das Ciências Malditas:


Primeiro Setenário - O Templo de Satã



I - O DIABO
O Malabarista = A Unidade = O Princípio = O Objeto



II - O BRUXO
A Papisa = O Binário = As Faculdades


III - OBRAS DE BRUXARIA
A Imperatriz = O Ternário = O Verbo


IV - A JUSTIÇA DOS HOMENS
O Imperador = O Quaternário = A Base Cúbica = O Poder


V - O ARSENAL DO BRUXO
O Papa = O Quinquenário = A Vontade e seus instrumentos...


VI - OS AVATARES MODERNOS DO BRUXO
O Namorado = O Senário = Oposição = Reciprocidade = Produto = Meio Termo


VII - FLORES DO ABISMO
O Carro = O Setenário = Triunfo = Consumação = Plenitude = Riqueza = Supérfluo



Segundo Setenário - A Chave da Magia Negra



VIII - O EQUILÍBRIO E SEU AGENTE
A Justiça = Equilíbrio = Balança = Harmonia


IX - OS MISTÉRIOS DA SOLIDÃO
O Eremita = Isolamento = Poder sobre o Astral


vX - A RODA DO QUE VIRÁ
A Roda da Fortuna = Causalidade = Vida Coletiva = O que Virá

XI - A FORÇA DA VONTADE
Força = Energia = Seus meios de ação


XII - A ESCRAVIDÃO MÁGICA
O Enforcado = Sacrifício Voluntário = Interferência dos Planos
XIII - A MORTE E SEUS ARCANOS
A Morte = Desintegração = Despreendimento


XIV - A MAGIA DAS TRANSMUTAÇÕES
A Temperança = Mutações = Trocas = Combinações = Intercambios



Terceiro Setenário - O Problema do Mal



XV - ADÃO-EVA E A SERPENTE
O Diabo = Correntes Fatais do Instinto = Nahash o Tentador do Éden


XVI - A QUEDA
A Torre = Derrubada = Queda = Desepêro = A queda de Adão (involução)


XVII - A ENCARNAÇÃO DO VERBO
A Estrela = Idealismo = Resgate = Esperança = Redenção = Evolução


XVIII - TROMPAS DO INIMIGO
A Lua = Engano = Constição (Hereb) = Trompas da Viagem


XVIX - A FOGUEIRA DE HERAKLES
O Sol = Esplendor = Riqueza = Expansão (Jonah)


XX - RESSUREIÇÃO
O Juízo = Restituição = Volta = A Ressureição dos Mortos


XI - A GLÓRIA DA APOTEOSE
O Louco = Subversão = Desordem = Dissolução = O Suicídio do Mal
Vencido por suas próprias Armas = A Loucura do Amor


XX - O VERDADEIRO PANTEÍSMO
O Mundo = Sincretismo Universal = Satã Panta se desvanece em Deus



O MAL E O BEM


O Mal existe independentemente do Bem ? Ou é apenas o seu reflexo ? O mesmo podemos perguntar das Trevas, ausência de Luz.
Para que a Luz possa ser percebida é necessário a ausencia de luz...
Se Lúcifer é o Portador do Archote da Luz, o que significa o Diabo, Satã (o eterno daversário) ?
Stanilas baseou a sua metafísica através deste caminho, como podemos ver nos comentários que seguiram a sua morte:


"Vá direto ao fundo do mistério e nos conduza alí contigo para interpretarmo-lo.
Esta astúcia, agora permitida, e que tiveste cuidado, em tua primeira exposição dos feitos de falarmos sobre todo o perigo, em lugar de desejarmos seduzir pelo encanto do mistério.
Revestidos por tí com esta armadura protetora vamos atravessar seguindo-te a esta região perigosa do mundo médio, para chegar ao fim das esferas divinas, único fim verdadeiro desta exploração de tua obra. Assim é a Trindade. Serpente do Genesis onde tu guardas os feitos ocultos; "Chave da Magia Negra" onde os comenta; "O Problema do Mal" onde tu devias iluminá-los com tua luz divina, se a fatalidade da morte não tivera te arrebatado tão cedo de nossa admiração crescente."
Bartlet - na publicação L'Iniciation - janeiro de 1898 - pags. 9 e 10."No terceiro volume da Serpente do Genesis Guaita se reservara ao dever de sondar as profundidades deslumbrantes do primeiro Ternário, mas a Previdencia não quiz que tais luzes chegassem até nós; respeitemos a obscuridade misteriosa de teus desígnios..."
Sedir - L'Iniciation - janeiro de 1898 - pag 43.


Guaita baseia sua obra no livro do Genese "que os doutores entendem num espírito material e antropomórfico verdadeiramente revoltante, o Genesis "onde a verdade científica está oculta, assustadora na sua altura e profundidade" (Fabre d'Olivet - Mission des Juifs) vai fornecer o texto de um estudo que se extenderá por três livros suscessivos: porque desenvolveremos os dois sentidos ocultos deste texto, após haver exposto o sentido demótico e vulgar.


Como exemplo tomemos o texto hebraico do Sepher Bereshit ou Genesis, III, 1; a tradição oficial sé fornece o significado literal e a casca material: "Ora a serpente era mais sagaz que todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito" (como lemos na Bíblia). Fabre d'Olivet (Cain, Paris 1823, pag 27 e Language Hebraique Restituée - Paris 1815-1816, 2 vol, tomo II, pag 95) deixando filtrar o espírito límpido através da espessura confusa da letra, traduz assim: "Ora, a sedução original (a cobiça e o egoísmo) era a paixão dominante de toda vida elementar (a mola interior) da natureza, obra de Ihôah, o ser dos seres".


O Genesis trata da Criação do Mundo e do decaimento do Homem, desde o paraízo (Jardim do Éden) onde viviam Adão e Eva...
"Uma única árvore foi proibida à curiosidade deles, e quatro rios, que nascem em suas raízes formando uma cruz ao longe e dividen o Éden em um número igual de penínsulas, rivais em graça e abundância. E o Senhor disse ao Homem: - É aqui a árvore do conhecimento do bem e do mal; seus frutos dão a morte, tú não tocarás neles."
..."A serpente dirigiu-se a mulher: - Eloim te enganou, este fruto não dá a morte, muito ao contrário, torna semelhante a Deus o audacioso que a provou...".


..."- Adão onde estás ?
- Senhor, ouvi tua voz no jardim e porque estava nu, tive medo e me escondi.
- E quem te fez saber que estavas nu ? Comeste do fruto ?
- A mulher que me deste por companheira, ela me deu o fruto da árvore e eu comi...
- Porque agiste assim, mulher ?
- A serpente me enganou e eu comi.
- Visto que isso fizeste, ó serpente - disse o Senhor - maldita és entre todos os animais da criação! Rastejarás sobre teu ventre e te alimentarás das imundíces do solo.
E porei inimizade entre tí e a mulher, entre sua descendência e a tua... e de seu sangue nascerá uma virgem que te ferirá a cabeça, enquanto tentarás em vão mordê-la no calcanhar.
Depois dirigindo-se a mulher:
- Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio a dores darás a luz a teus filhos, o teu desejo será para o teu marido e ele te governará.
- Quanto a tí - diz ainda o Senhor ao homem - visto que atendeste à voz da mulher e comeste o fruto da árvore que te ordenei não comer: maldita é a terra por tua causa será estéril e rebelde. Tua vida será um trabalho incessante; comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até o dia em que a morte irá devolver o teu corpo ao pó de onde saiu.


"Eis portanto, em substância, com pequenas variantes, a fábula mosaica do pecado original. Isto é, na versão mais material e velada, assim como apresentam os tradutores ingênuos ou que fingiam sê-lo.


"Indaguemos agora quem pode ter sido a serpente mística e temível, cuja perfídia seduziu Eva e depois Adão... E segundo os diversos sentidos dessa alegoria, indicaremos as divisões de nossa obra. (Stanilas de Guaita - Introdução de "O Templo de Satã" Paris 1891)
Quem é a serpente ?
No sentido vulgar aparente, não temos dificuldade em adivinhar: é o espírito do mal disfarçado em réptil; é o eterno adversário, o diabo, em hebraico Satan.
No primeiro sentido esotérico é a luz astral, esse fluido implacável que governa os instintos; é o dispensador universal da vida elementar, agente fatal do nascimento e da morte; cortina do invisível, atrás da qual escondem-se as diversas hierarquias de poderes às quais ele serve ao mesmo tempo de véu e de veículo. Este ser hiperfísico - inconsciente, logo, irresponsável - domina o feiticeiro como o dono da casa, e obedece ao mago como um criado. Devemos dominá-lo a qualquer preço, para não nos tornarmos joguete das grandes correntes que se movem nele, segundo leis invariáveis.


No sentido superior a serpente simboliza o egoismo primordial, essa atração misteriosa do sí para sí mesmo, que é o princípio propriamente dito da divisibilidade: essa força que, ao solicitar a todos os seres que se afastem da unidade original, para que se tornem centros e se comprazerem no ego, provocou a queda de Adão.


A passagem citada no Genesis, nos conduz ao problema do mal: devemos ver alí a lenda da queda humana, tanto coletiva quanto individual, a que se segue, como complemento necessário, a grande epopéia da redenção."


Stanilas se propos a revelar todos os mistérios em sua trilogia, infelizmente não concluida...


..."Iremos mais longe do que já ousaram outros adeptos, até esse limite derradeiro, tão assustador de transpor, onde está o querubim emblemático, com a espada de fogo na mão, ameaçando de cegueira os contempladores temerários do mais cegante dos sóis.
O que é o mal ? Deus o criou ? Qual é a origem do mal, uma vêz que não possui positivamente um princípio ? O que é, no sentido verdadeiro, a queda do Éden ? Como era o grande Adão antes da queda ? Como se tornou depois ? Em que sentido o mistério da criação identifica-se aos da queda e da encarnação ? Em que sentido o mistério da redenção é complementar aos dois últimos ? O que é redentor ? O Cristo Doloroso ? o Cristo Glorioso ? Como são analisadas cabalísticamente as cinco letras (Iod-He-Shin-Vau-He) do nome de Jesus ? A que se resume, do ponto de vista esotérico, o problema social ? Como a unidade inacessível se revela pelo ternário no mundo inteligível e se manifesta pelo quaternário no mundo sensível ? Onde termina a evolução ?..."




8 - CONVERSAS COM O DIABO - Ouspensky


Vejamos agora a concepção de Ouspensky, em seu livro "Conversas com o Diabo", que aliás ganhei de uma grande amiga de nossa família, já falecida, por ocasião do meu aniversário em 1984, mas que só li realmente este ano, ou seja dez anos depois...


"... Naquele livro antigo, está escrita a história de Adão e Eva. Ora bem, esta história não está certa, e a enganosa teoria sobre a origem do homem confunde todas as suas idéias subsequentes a respeito dele. Quanto à nova teoria da origem do homem a partir do protoplasma, é muito interessante.... Tentarei explicar o que realmente aconteceu:"


Prossegue o Diabo:
... Adão e Eva são os nomes dos descendentes do Grande Ser. É o que dizem... havia um Grande Ser chamado o Portador da Luz, que lutou e que brigou, não com o céu, mas com a terra, com a matéria, ou com a falsidade, e a dominou. Só muito depois, ao que dizem, ele brigou com o céu...Ele subiu muito, mas dizem que no fim teve as mesmas dúvidas quanto à verdade, e, por um momento, acreditou na mesma falsidade contra a qual vinha lutando. Isso provocou sua queda e ele partiu-se em mil pedaços. Foi de seus descendentes que vieram Adão e Eva...


Veja, conto esta história com a melhor boa vontade do mundo, e ela chega às fronteiras de assuntos que não compreendo. E aquilo que não compreendo não existe! É muito desagradável falar do que se encontra à beira de algum vácuo, além do qual nada existe.


Pois bem, Adão e Eva não viviam no paraíso, viviam na terra, ou melhor eles apenas brincavam de viver na terra, pois apenas uma pequena parte deles estava na terra mesmo, nove décimos do seu ser viviam naquele vazio que tanto detestamos e que é hostil à vida.
Chamam este vazio de mundo do milagroso. Na minha opinião eles não eram pessoas normais, tinham alucinações visuais e auditivas; veja a afirmação de que viam Deus e falavam com Ele.


O Diabo, neste ponto tremeu e enrolou-se em sua capa, mas continuou: É claro que não acredito em Deus. Mesmo assim transmito a lenda de que ele existe, aliás a parte de nossa rebelião contra Ele foi inventada por nós mesmos ...


Mas voltando a Adão e Eva, eles não eram homens inocentes inicialmente, eram como deuses e sabiam o que era o bem e o mal.
Para nós isso era muito desagradável e assustador. Era como se eles fossem mais fortes do que nós. É claro que tudo isto era fantasia, mas para eles estávamos no mesmo nível dos animais.


Também devo dizer que não estavam sozinhos na terra. A terra era habitada por outra raça, os decendentes dos animais. Mas o seu livro (a Bíblia) nada fala a respeito dessa outra raça, que era completamente dominada por nós.


Mas o que queríamos mesmo era dominar Adão e Eva, sua presença nos constrangia. Davam a impressão de que a qualquer momento poderia fazer desaparecer todo o mundo. Diziam que nada existia e que tudo era apenas um sonho,e que era possível acordar e não encontrar mais nada.


Assim a luta começou. Tinhamos que livrá-los daquelas fantasias e convencê-los de que o mundo realmente existe, que a vida não é uma bricadeira, mas uma coisa muito séria, difícil e perturbadora mesmo, e que as idéias do bem e do mal são apenas relativas, sem permanência.


Queríamos expulsá-los daquele paraíso que nos enojava. Eram conversas constantes sobre Deus, amor eterno e muitos beijos. Diziam que o amor era a sua força principal e uma mágica poderosa; que através dele ressucitariam o Grande Ser, e assim restaurariam o mundo perdido.


Quando entregavam-se ao sentimento puro do amor, ou concentravam-se em determinada coisa ou sentimento, chegavam mesmo a desaparecer de nossas vistas, ficávamos mesmo confusos sem saber o que acontecia com eles.


Além disso eles não tinham a menor consciência de seus corpos, andavam nús, não se cobriam, negavam a matéria e mesmo assim admiravam sua beleza.


Só havia uma maneira de fazer Adão e Eva melhorarem: introduzir sofrimento em suas vidas e obrigá-los a acreditar na realidade da matéria.


Mas como ? Pensamos nisso durante muito tempo. Finalmente um de nós teve uma idéia, baseado num dos hábitos dos descendentes dos animais. Eles comiam todos os dias o frutos de uma determinada árvore, em grandes quantidades.
Tinham uma lenda, que no passado, um deus distante havia descido à terra e lhes ensinara a comer do fruto daquela árvore. Assim eles comiam sempre a fruta e chegavam mesmo a estocá-la em grande quantidades. Chegamos então à conclusão de que se pudéssemos fazer com que Adão e Eva comessem desta fruta, talvêz pudéssemos fazê-los entender o nosso senso comum.


Assim um de nós procurou Eva e lhe ofereceu do fruto. Como só podiamos aparecer na forma de animais, nosso amigo tomou a forma de uma serpente. Assim Adão e Eva começaram a apreciar esta nova atração. Com o tempo passaram a buscar o fruto diretamente nas árvores, como os filhos dos animais, e a começaram a comer mais do que o necessário.


vVeja, aquele seu livro antigo, diz que Adão e Eva não tinham autorização para comer do fruto daquela árvore, isto não é verdade, eles podiam comer do fruto de qualquer árvore.



Certo dia Eva notou que estava engordando, e isso a aborreceu muito...
Uma pequena causa às vezes tem grandes efeitos, e bastou que Adão e Eva, no caso da fruta, admitissem a realidade da matéria para que a realidade se inflitrasse neles em todas as direções.
Adão e Eva logo compreenderam que lhes faltavam muitas coisas de que precisavam, e foram aos poucos perdendo os seus nove décimos de dimensão imaterial e mergulhando no universo material, com a nossa ajuda é claro....
Aos poucos foram perdendo o seu amor, e a magia que dele provinha, agora o sol queimava-os, a chuva os encharcava, os trovões lhes davam medo, o vento fazia-os sentir frio e assim por diante... "


Assim Ouspensky resume magistralmente a função do Diabo, manter-nos ligados ao mundo material. Evitar que possamos encontrar nossas outras dimensões, de mergulharmos no amor e nos unirmos uns aos outros com esta finalidade.


Complementando este trabalho, resumimos agora do mesmo trabalho, o conto "O Diabo Bondoso" do livro "Conversas com o Diabo" de Ouspensky, a parte em que Leslie White ouve de seu amigo indiano que morava no Ceilão, um relato sobre a Ioga:


"A ioga é precisamente a sujeição da vida ao jugo das idéias. A palavra "yoga", que vem do sânscrito, quer dizer unir...


Aquele que compreende fala de outras coisas, da vida interior e não da exterior. O caminho certo é acabar com o conflito entre a vida das idéias e a vida quotidiana. Para isso é necessário conhecer a sí mesmo. Saber a cada momento o que se está fazendo e porque. Só então seremos senhores das coisas e não seus escravos. Em geral satifazemos nossos desejos, antes de pensar se são necessários a nossos objetivos superiores.


Procure viver de maneira a manter-se vigilante quanto às suas ações e não fazer nada que não sirva aos propósitos mais elevados. Ou, em outras palavras, aprenda a fazer tudo de modo a servir a um propósito superior.


Isto é possível. Se alguma coisa for particularmente difícil, considere-a como um exercício. Lembre-se que tudo que é difícil de ser feito tem o objetivo de sujeitar-nos ao espírito. Assim, tudo se tornará mais fácil e terá um significado. Mas, não importa o que estejamos fazendo, é de importância vital perguntar, antes de cada pensamento, de cada palavra, de cada ato: Porque faço isso ? É necessário ? E então, imperceptívelmente, muitas de nossas ações e atos deixarão de ser desnecessários, e passarão a servir a fins superiores.
O conflito interno em nossa vida, então começará a desaparecer e será substituido pela harmonia. Aprenda então a repousar: isto talvêz é o mais importante. Aprenda a não pensar, a controlar seus pensamentos. Pergunte-se com frequencia, se é necessário pensar no que está pensando, ou se seria melhor pensar sobre outra coisa, ou melhor ainda não pensar em nada ?
Isto é o mais difícil, mas é essêncial. Aprenda a pensar e não pensar. Saiba coma parar os pensamentos. Seja capaz de criar um silêncio interior. Chegará o momento em que ouvirá a voz do silêncio. Esta é a primeira e mais importante ioga.
Quando ocorrer, quando começar a ouvir a voz do silêncio, então novas forças e capacidades começrão a aparecer.


A princípio serão vagas e imprecisas; mais tarde, porém, tornar-se-ão tão obedientes à sua vontade quanto o olhar, a audição e o tato.


Mas tudo deve ser aceito calmamente, sem pressa, sem forçar a atenção sobre o progresso interior - a atenção pode impedir o desenvolvimento de novas capacidades.


Então será necessário aprender a ver cada objeto como um todo. Compreende o que isto significa ? Normalmente vemos apenas as partes de uma coisa; seja apenas o começo sem qualquer continuação e o fim; ou o meio, ou o fim. Procure ver sempre tudo como um todo. Para chegar a este ponto, comece a pensar em tudo ao inverso; não tome o princípio sem o fim.


E começará então a ver muito mais das coisas que vê hoje.
Clarividencia é ver cada vêz de uma perspectiva mais alta, mais abrangente, aos poucos nos apercebemos de muito mais.


Para alcançar estas capacidades, em primeiro lugar é preciso que nos tornemos senhores daquilo que já possuimos: nós mesmos. Para isso podemos nos indagar, a cada hora, o que fizemos durante esta hora ? Os iogues fazem isto a todo instante. A prática constante é necessária e imprescindível para adquirir auto-controle.


E quando sua alma começar se habituar com esta nova ordem de idéias, a este novo plano de vida, então quando realizares alguma coisa, juntamente com o florescimento dos novos poderes na sua alma, começará a observar que não está sozinho em seu caminho.
Na noite escura, por toda parte, na estrada, começará a ver luzes, e compreenderá que são os viajantes que caminham na mesma direção, para o mesmo templo, para a mesma festa...


O que devo fazer para seguir este caminho ? Perguntou.
Comece observando a sí mesmo. Tente limitar-se, mesmo que seja apenas uma questão de eliminar coisas de que não precisa, mas que consomem a maior parte do seu tempo e da sua energia. Procure compreender que está muito distante do objetivo, mas que este é possível de ser alcançado, acredite nisto, e em pouco tempo, à distância, começará a vislumbrar o caminho

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16 maio 2008

O Poder dos Espelhos

Espelho, espelho meu,
Sai do espaço profundo
E vem dizer se há no mundo
Mulher mais bela do que eu...
(Fala da Madrasta no conto "A Branca de Neve")


Na cena clássica da ora citada, a madrasta, como sempre a pessoa má que substitui a mãe, figura que a Igreja deturpou na Idade Média, para evitar a aceitação do rompimento dos casamento dos casamentos mal realizados e os de conveniência tão comuns na época e hoje em dia, era uma feiticeira que pede conselhos ao espelho, o qual desempenha seu papel de consciência representante da sabedoria interior e intermediário entre o presente, o passado e o futuro, e conselheiro das soluções dos problemas. A madrasta é a representação das pessoas independentes, inteligentes, e alcançam seus objetivos, e o que não aceita as histórias falsas das criadas que vão se casar com príncipes, por isso a Igreja criou este estigma sobre as pessoas que trazem a razão da realidade sobre o povo que crê em dar pouco e receber muito, ou nada fazer e tudo receber. E nós buscamos esclarecer e restabelecer o Plano que os Mestres Druidas conhecem e servem, vemos que deturparam uma história e mostram uma falsa realidade e solução de problemas sociais com fadas madrinhas adulteradas que dão sapatinhos de cristal, que é uma analogia aos espelhos mágicos, para os príncipes encantados as reconheçam, mas não e o que a realidade mostra, pois espelhos mágicos foram quebrados e escondidos, os "príncipes encantados" estão pobres, as cinderelas abandonadas, e os espelhos estão calados, como por acaso, no espelho mágico da madrasta da Branca de Neve, que também foi calado.


O Espelho Mágico


A palavra espelho vem do latim SPECULUM, e deu nome à "especulação", que originalmente, significava observando as estrelas através do "espelho". E da palavra "estela" (SIDUS), vem consideração, que etmologicamente significa olhar o conjunto de estrelas. E essas duas palavras abstratas, que hoje representam operações intelectuais, nasceram do estudo dos astros refletidos no espelho. O que reflete o espelho? A verdade, a sinceridade, e o conteúdo do coração e da consciência.


No panteão indo-budista, o deus YAMA, senhor do reino dos mortos, que julga as almas através de seu espelho do Karma, pois não há como esconder nada do reflexo do espelho. Segundo as lendas contadas nos livros druidas, os espelhos mágicos são símbolos lunares e femininos, símbolo da realeza, e representa a união conjugal e o espelho partido a separação. Sendo o número oito sagrado para os druidas, usava-se um espelho octogonal nas casas para poder reconhecer e afastar o mal. Este tipo de espelho é intermediário entre o modelo redondo (celeste) e o quadrado (terrestre). O reflexo do homem não lhe é dado apenas pelo bronze polido ou água adormecida, segundo o Arquidruida SELGEN: -"o homem se utiliza do bronze como espelho. O homem se utiliza da antiguidade como espelho. O homem utiliza o próprio homem como espelho."


O uso do espelho para adivinhação remonta à PÉRSIA. E, PITÁGORAS, segundo a lenda, tinha um espelho mágico dado pelos druidas, que ele apresentava à face de uma determinada LUA, antes de ver nele o futuro, como faziam as druidas e as feiticeiras da TESSÁLIA, e seu emprego é o inverso da necromancia, simples evocação dos mortos, porque ele faz aparecer homens que ainda não existem ou que desempenham uma ação qualquer que, na verdade, só executarão mais tarde.


Nas "escolas druidas" haviam o espelho de grau, no qual o aprendiz via seu reflexo e nele mostrava a forma física, e só passava após o reflexo bem claro, este era o espelho de bronze, no grau dois, ao olhar via o reflexo de sua alma, e muitas vezes se assustavam com a essência de seu interior que refletia o horrendo, e trabalhava até que o reflexo da alma fosse claro, e este era o espelho de água. No grau três, o iniciado busca não ter reflexo no espelho, é o de cristal.


Para quem quer possuir seu espelho mágico, que é pessoal e intransferível, que é como sua senha bancária, ninguém pode saber e usar, a não ser seu professor, deve tomar os seguintes cuidados e dicas:


1 - Procure uma pessoa que conheça o assunto, pois você não estará revelando somente segredos físicos e astrais;


2 - Faça você o espelho com uma face virgem, e a moldura de sua escolha, terrestre, celeste, etc...


3 - Em quarto escuro sob a luz de uma vela na cor azul índigo, e seu reflexo deve ser o primeiro;


4 - Espelhos de previsão devem ser guardados envoltos no linho branco e em uma caixa negra;


5 - Estes procedimentos são práticas e requerem maiores detalhes, mas lembrem-se que a família imperial japonesa guarda o seu espelho sagrado em um santuário especial, o qual é vedada a presença de não membros da família real.


Estes ensinamentos e referências têm o propósito de orientar e esclarecer dúvidas daqueles que estão no Caminho e buscam maiores fontes para completar seus trabalhos iniciáticos, mas que alcançaram este conhecimento através de trabalho árduo de pesquisa e dedicação à causa maior da Fraternidade Branca, e não para aqueles que se auto-iniciam, e que sabem muito pouco o muito que têm que saber, e orientam mal e perigosamente àqueles que buscam a luz e caminho real, poucos conhecem que o único reflexo, neste objeto de tamanha importância de auto conhecimento até agora despercebido, era o da personalidade e não da alma, e muito poucas pessoas estão prontas para verem o reflexo da alma, muito menos para ajudarem a outros verem...

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01 maio 2008

O sentido da Vida

Satsanga com Swami Dayananda Saraswati

Pergunta: Swamiji, qual é o sentido da vida?


Swamiji - Se você toma a palavra "sentido" como sendo "objetivo", o sentido da vida, certamente, não pode ser a morte. Se a morte é o sentido da vida, então, evidentemente, não preciso nascer - o objetivo sendo a minha ausência. Se me encontrava ausente antes de nascer, não preciso nascer para não existir. Assim, não posso dizer que a morte seja o objetivo da vida.


Nem posso dizer que outra coisa mais do que a própria vida seja o objetivo da vida. Por consequinte, o seu sentido ou objetivo tem de ser encontrado dentro da própria vida. Eu diria que o objetivo da vida é apenas viver. A morte acontece, mas não é o objetivo da vida. E, desde que o sentido da vida é viver, a pergunta seguinte passa a ser "o que é viver?".


Não posso dizer que estou vivo quando não estou vivo para a realidade da vida. Não estar vivo para a realidade da vida é sonhar, viver uma vida de sonhos, falsa, o que significa não viver. Por essa razão, o sentido da existência deve ser viver uma vida verdadeira. Viver é o sentido. Viver implica em uma vida com significado; de apego à verdade, uma vida onde as realidades são confrontadas.


Estar vivo, então, é estar vivo quanto às realidades da vida, às realidades de minhas buscas e de minhas lutas. Quão desejáveis são os objetivos que procuro atingir? Até que ponto serão capazes de prover o que desejo? Será que me farão uma pessoa feliz e realizada? Para que eu possa estar vivo para essas realidades, os objetivos que busco devem ser examinados e entendidos apropriadamente.


Devo também considerar a pessoa que está lutando - eu. Quão válido é lutar? Lutar implica uma pessoa insatisfeita, uma pessoa insatisfeita consigo mesma. Quão válida é essa auto-insatisfação? Com o que eu não estou satisfeito? Estou insatisfeito com o meu físico? Com a capacidade intelectual de meus pais? Estou insatisfeito com a minha competência? Estou insatisfeito com a minha mente, minha capacidade de pensar, minha memória e minhas emoções? Com o que não estou satisfeito? Se existe uma auto-insatisfação, tudo isso deve ser examinado.


Se essas realidades não são examinadas e eu busco satisfação, a minha busca não tem sentido. Essas perguntas cruciais devem ser respondidas para que possamos encontrar o sentido da vida. Devo ter um domínio sobre essas realidades. E se eu não estou satisfeito comigo mesmo, se todos esses fatores, ou mesmo alguns deles, que me constituem, não são considerados satisfatórios, como posso remediar essa situação? Será que os vários objetivos que busco me ajudarão? Terei eu, até mesmo, algum objetivo capaz de alterar a situação?


Mesmo se estivermos insatisfeitos com o nosso corpo e sua aparência, ou com nossa mente, nós não despendemos todo o nosso tempo tentando mudá-los. Isso porque também aspiramos a muitos outros fins na vida, tais como poder ou dinheiro, fama, influência e controle. Podemos esperar a mudança de nosso corpo ou mente através de alguns desses objetivos? Eu penso que não. Até agora ninguém realizou tal coisa.


Suponha que você tente mudar seu corpo, como irá fazê-lo? E mesmo que consiga fazê-lo, por quanto tempo irá conservá-lo? Tais objetivos são sem sentido. Você não pode esperar mudar o seu corpo para sempre, porque ele tem suas intrínsecas limitações. Por consequinte, ninguém vai, satisfatoriamente, mudar o seu corpo.


O que significa mudar a mente? É com a mente que estou insatisfeito? O problema é que me encontro insatisfeito comigo mesmo, não com o corpo ou com a mente. Se eu sou o corpo e a mente, então não há uma maneira efetiva de mudá-los. E se eu sou muito mais do que o corpo e a mente e estou insatisfeito comigo mesmo, então devo examinar minuciosamente o que é esse ser.


Porque as realidades envolvem aquele que com elas lida - eu, devo, em primeiro lugar, ter um comando sobre a realidade que me diz respeito. Tudo o mais vem depois e tomará conta de si mesmo. Devemos também entender as realidades do mundo, mas o sentido da vida começa comigo. Não vejo nenhum outro sentido. Nascer como uma criança significa que meu corpo está incompleto, ainda não desenvolvido. Assim como um botão tem de florescer, o corpo de um bebê tem que se tornar adulto. Por essa razão, o sentido da vida pode ser apenas viver - crescer. A vida continua, mas primeiramente, como um ser humano com um corpo de criança, tenho que fisicamente me tornar um adulto. E desde que tenho uma mente pensante, eu deveria presumivelmente ter uma certa disciplina para aprender - o que também é crescimento. Conseqüentemente o crescimento em si mesmo seria o sentido da vida.


Uma vez que eu tenha crescido fisicamente, sou considerado um adulto. Entretanto, há uma outra área de crescimento denominada crescimento interior, crescimento emocional ou crescimento moral, que está centrada em minha vontade. Este crescimento, também, é o sentido da vida. Tenho que crescer até atingir a minha realização. O sentido da vida, portanto, é tornar-se um ser humano pleno e completo.


Obviamente, maturidade implica na estima de nós mesmos e do mundo. Se nos sentimos perseguidos pelo mundo, esse senso de perseguição vem ou de nós mesmos ou do mundo externo. Se o mundo não me oprime mais do que a outrem qualquer e, ainda assim, me sinto perseguido, então eu deveria saber que o sentimento de perseguição vem de mim mesmo.


Conquanto essa condição possa ser chamada de doença mental, eu a chamo de imaturidade emocional porque o problema é próprio de uma criança, ainda que a pessoa com o problema tenha um corpo de adulto e, até certo grau, uma mente adulta. As situações vividas por essas pessoas são, todas, condizentes com a fase adulta. Ela não é mais protegida por seus pais, nem é mais necessário este tipo de proteção. A pessoa, fisicamente, biologicamente, é um adulto. Pode já ter se casado, ser pai/mãe ou avô/avó. Mesmo assim a criança de seu interior ainda parece ter uma influência sobre a pessoa, governando seu comportamento e reações frente ao mundo.


O que estou dizendo é que algo que aconteceu a essa pessoa, quando criança, não foi trabalhado. A percepção infantil é inevitável. O problema é comum a todos, não há exceções. Durante o seu desenvolvimento a criança descobre um ego. No segundo ano de sua vida, esse ego é absoluto. É por isso que o segundo ano de vida de uma criança é às vezes chamado como o "Terrível Dois" (em inglês, Terrible Two). No terceiro ano, porém, a criança descobre outros egos, algo que é também muito humilhante e submisso.


Como criança, você constata que sua mãe tem seu próprio ego e seu pai, o dele. Todos à sua volta têm um ego e quando você vai para a escola, está cercado por nada mais que egos - cada um dos quais você considera bastante desconcertantes, pois você acaba de sair de um ego absoluto. Um ego absoluto é como o ego do Senhor. Partindo desse ego, você se encontra em um estado onde reconhece todos esses egos - sem ter nenhum dado para lidar com eles.


A descoberta de todas essas mentes e idéias conflitantes é um estágio muito confuso de seu desenvolvimento. Existe também um natural temor. Você se sente ameaçado por todos que o rodeiam por serem todos tão grandes. Você se admira, como se admirou o jovem escolar em Village Schoolmaster, de Goldsmith, que tanto material pudesse sair da cabeça tão pequena do professor. Esse é exatamente o ponto de vista de uma criança quando se confronta com os gigantes do mundo, todos eles parecendo saber tanto.


A criança não sabe que essas pessoas são igualmente confusas. Ela julga que todos são o máximo em tudo e os respeita a todos, ainda que eles, também, tenham de lidar com os seus próprios problemas da infância. Caso não os tenham trabalhado, carregam necessariamente dento de si uma criança. Um pai de uma criança carrega sua própria criança, o mesmo ocorrendo com a mãe da criança. Conseqüentemente, cada um é, ao mesmo tempo, uma criança e um adulto. Essa pessoa criança-adulta está presente em toda sociedade.


Em tal sociedade, há naturalmente prováveis situações conflitantes e a criança tem que lidar com todas elas. Baseada nessas situações, ela aprende a confiar deveras no mundo ou, definitivamente, a não confiar. Uma criança que muito confia pode ser abusada por outro, ao passo que uma criança que não confia no mundo vai pensar: "O mundo está sempre lá fora para me pegar". Esta resposta conduz a problemas que os psicólogos chamam de distúrbios de caráter.


Um problema comum é o sentimento de culpa. Uma criança cujos pais brigam todo o tempo pode pensar que é a responsável e sentir-se culpada. Tais conflitos criam uma baixa auto-estima e levam a uma espécie de neurose, um problema psicológico que todos, em certo grau, têm. Essa desordem continua pela vida afora, arruinando também a percepção do adulto.


Quando você vai tratar dessa desordem? A menos que olhe para você mesmo, como irá lidar com isso? Eis aqui onde entra a maturidade emocional. Você pode resolver problemas de infância através do entendimento de todo o processo, reconhecendo tudo que aconteceu e observando o passado que foi enterrado. Você apenas aceita o que aconteceu antes, bom ou ruim. Tratar de problemas que existem, referentes ao passado, é ter uma certa maturidade. É um modo maduro de ver-se a si mesmo.


Então, mais uma vez, você olha o mundo do mesmo modo. De fato, se você pode simplesmente aceitar seu próprio passado, então lhe será mais fácil aceitar também o mundo. O mundo pode apenas existir. O modo maduro de olhá-lo é não desejar o seu controle. Nem você pode controlá-lo. Se você quer controlar o mundo, mas é incapaz, você se sente controlado. Você pode agir no mundo, mas não pode ter sobre ele um controle absoluto. Um dos traços mais predominantes nas pessoas é este: a tentativa de controlar de várias formas o mundo. Isto é o que chamamos de imaturidade. Que controle você tem? Não tem nenhum; pode apenas acomodar as coisas, entender e fazer o que puder. Certos poderes podem lhe ter sido dados para fazer alguma coisa: compreender, organizar, reorganizar e reunir tudo. Todo mundo tem certos poderes, e com esses, você faz o melhor que pode.


Aceitação não é meramente engolir tudo; é a aceitação de uma dada situação como ela é, fazendo o que é apropriado àquela situação. Assim, agir é ganhar uma maturidade que é a maioridade emocional. Esta maturidade pode ser estendida mais adiante, incluindo um modo maduro de entender os valores, com referência à nossa interação com o mundo.


Começar a fazer perguntas tais como: "Por quê não tenho nenhum controle?", pode também conduzir a uma apreciação de Isvara, o Senhor. Não precisamos subordinar essa apreciação à maturidade, mas pode ser visto também dessa maneira; nessa aceitação de Isvara reside um outro aspecto de um modo de viver maduro. Aceito Isvara, o Senhor, porque não tenho nenhum controle. Quando não tenho nenhum controle, então aprecio Isvara. Pode haver, por essa razão, uma certa entrega com referência ao que aconteceu no passado e ao que acontecerá no futuro. E faço o que posso. Se há uma apreciação de Isvara, há uma ordem, há um sentido na vida. As coisas estão acontecendo e, por conseguinte, aceito o que vem para mim e faço o que é para ser feito.


Eu questiono essa apreciação de Isvara sob o aspecto de Karma Yoga, o que pode ser considerado como uma vida religiosa, que é também parte do viver-se com maturidade, desde que, naturalmente, a religião seja apropriadamente entendida. Isvara é para ser entendido apropriadamente e, na medida que temos esse entendimento, está a nossa maturidade.


Maturidade emocional implica em um entendimento das estruturas dos valores e prioridades. Nossas prioridades devem ficar muito claras em referência aos valores. Há valores universais e há outros determinados valores, tais como um valor pelo dinheiro, pelo poder, nome, influência ou controle, que são valores mas não são, necessariamente, universais.


Uma pessoa pode ser feliz sem dinheiro, por exemplo, ao passo que valores como falar a verdade e não ferir os outros são valores universais. Há uma série de outros valores universais, como não roubar, compaixão, amizade e servir ao próximo. Estes são, todos, valores que respeitamos com referência ao comportamento dos outros.


Quero que todos sejam amistosos comigo, não representando nenhuma ameaça para mim, ajudando-me quando necessário e dizendo-me somente a verdade. Quero que ninguém me roube ou minta para mim. Tudo isso eu valorizo, significando que sou limpo de caráter, absolutamente ético no que diz respeito ao comportamento das outras pessoas. Nisso sou absoluto. (Entretanto, quanto ao meu próprio comportamento, tenho alguns problemas). Sei que você também espera de mim o mesmo procedimento. Isto significa que tenho valores, ainda que eles possam não ser propriamente entendidos.


O valor dos valores geralmente não é entendido. Os valores são conhecidos por mim. Sei o que são, mas o valor de cada um dos valores não foi assimilado. No que se refere ao valor dos valores, preciso ser educado. Ou eu mesmo me educo, ou torno-me educado com a ajuda de alguém.


Se alguém lhe diz para falar a verdade, a coisa torna-se bem semelhante a um sermão. Você sabe bem que deveria falar a verdade. Do mesmo modo ninguém precisa dizer-lhe que não roube. Isto você também sabe muito bem. Não é necessário que ninguém lhe diga para não roubar, porque você também não deseja que a sua propriedade seja roubada por ninguém. Dessa forma, todos esses valores universais são conhecidos por você. O pregador de valores é portanto imaturo e aquele que o escuta, acenando afirmativamente sua cabeça, naturalmente, também o é.


Por quê eu não deveria roubar? Qual é o exato valor do não-furtar? Quando roubo ou firo alguém, como sou realmente afetado? Perco alguma coisa? Somente se eu tiver algo a perder, existirá um valor, caso contrário, não. Para que alguma coisa seja um valor, a sua não observância por mim deve, irrevogavelmente, me conduzir a uma perda. A compreensão da imensidade de minha perda, quando me coloco contra um valor, é que me torna maduro.


Na medida em que aprecio a minha perda, me torno maduro, o que implica educação. Tenho de conhecer o valor dos valores acidentais, como dinheiro, poder, etc. Por estarem estes outros valores muito bem assimilados, terei problemas de prioridade em termos de quais valores a serem seguidos por mim.


Por exemplo, devo falar a verdade e perder o dinheiro que ganharia recorrendo a uma mentira? Ou devo, para ter o dinheiro, lançar mão da mentira? Obviamente, tenho um conflito a respeito de como agir e, sem dúvida alguma, farei aquilo que para mim for de maior valor. Se para mim o dinheiro representar mais do que a verdade, então a educação do valor não ocorreu.


Se analisarmos esse problema prioritário particular, encontraremos novamente uma falta de maturidade. Em termos de valores e gerenciamento emocional, existe imaturidade. No que você começa a lidar com esse problema, ocorre um amadurecimento, uma tentativa de amadurecer. De outra forma, você permanece imaturo, ainda que atinja os noventa ou cem anos.

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24 abril 2008

Gandhi e o Viajante!

Conta-se que Gandhi, sempre que viajava de trem pela Índia, comprava passagem de terceira classe. Ali os passageiros, como só acontece em alguns outros países, também não cultivavam hábitos de higiene, nem de boas maneiras.
Certa ocasião, quando empreendia uma das suas viagens, ele chamou a atenção de um rapaz que viajava junto a ele no mesmo vagão e que de quando em quando cuspia no chão. Diante da advertência recebida, o moço respondeu indelicadamente e repetiu varias outras vezes o gesto. Gandhi calou-se.
Depois de um bom tempo de viagem, o rapaz pegou no seu violão, dedilhando-o por uns momentos ate afiná-lo, e começou a tocar e também a cantar músicas que exaltavam o grande líder e herói nacional Gandhi.
Quando, finalmente, o trem parou na estação da cidade para onde Gandhi se dirigia, ele se levantou, preparando-se para descer. O jovem, que também ficaria ali, juntou suas coisas para
sair. N a estação, ele percebeu que alguém de certa importância e grande respeito estaria chegando, porque havia uma enorme recepção organizada com músicas instrumentais, fogos de artifício e discursos.
Parou para ver... Era Gandhi quem chegava!
Só quando o viu recebido com tamanha honra e distinção foi que o rapaz se deu conta de que o passageiro a quem havia respondido de maneira tão descortês e insolente era exatamente aquele que havia enaltecido com tanta veemência através das suas canções.
Ele não conhecia Gandhi, mas certamente entendeu que para ele nada significaram suas músicas e o seu cântico.
Essa experiência pode muito bem ser aplicada em relação a DEUS, Ele deseja receber o nosso louvor e numerosas foram às vezes em que Ele mencionou esse seu prazer. Porém, deixou sempre claro que o desejava de maneira humilde, sincera e real.
Citou como exemplo de perfeito louvor àquele que parte da boca das crianças, porque essas na sua pureza e despretensiosamente sabem ser honestas, sinceras e puras.
Condenou o povo que procurava apresentar-lhe honra e louvor superficiais, dizendo:
* "Este povo honra-me com os lábios; e o seu coração, porém, está longe de mim ".

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13 abril 2008

A Natureza da Tristeza

Satsanga com Swami Dayananda Saraswati

Pergunta: Swamiji, qual é a natureza da tristeza? Uma pessoa sábia sente tristeza?


Swamiji - A tristeza é algo que acontece quando você é colocado numa situação onde alguma dor está envolvida. A tristeza vem e vai pois as situações, acompanhadas por alegria e tristeza, SUKHA/ DUHKHA, vêm e vão. SUKHA-DUHKHA são parte do todo. Embora possam surgir a qualquer hora, não afetam a pessoa que tem esse conhecimento. SUKHA, naturalmente , é nós mesmos e DUHKHA pode vir, mas não tem domínio sobre a pessoa, porque não mais existe uma confusão. O pensamento apenas ocorre. A pessoa não tem nenhum controle sobre os pensamentos que surgem, nem há qualquer necessidade de controlá-los.
A pessoa que compreende o que é real, simplesmente permite que os pensamentos ocorram. Pensamentos vêm e vão automaticamente. Nenhuma ação é necessária de nossa parte. Os sentimentos manifestam-se como pensamentos e esta é a única realidade que têm. Fome e sede também pertencem à mesma ordem de realidade da mente - uma realidade empírica. Uma pessoa sábia também experiencia fome e sede, assim como emoções, mas ela sabe que porque elas têm apenas uma realidade empírica, não afetam sua plenitude. Tal pessoa sabe: "Tudo isto sou eu, mas eu sou mais do que tudo isto". Tudo o que acontece, acontece. Esta é a visão. Desse modo, de que maneira a mente é, de alguma forma, diferente do corpo físico? Assim como o corpo tem de ser banhado e alimentado todos os dias, passar por dores, doenças e tudo mais a que está sujeito, assim também a mente. A mente pode ter seus pensamentos, mas eles são, todos, anulados para uma pessoa que tem a visão total.
Quando os pensamentos vêm, não há nada para segurá-los. De qualquer modo, nenhum pensamento permanece por muito tempo. Um pensamento é momentâneo: ele vem e vai. Mas pode haver uma consistência no pensamento desde que, naturalmente, nós o sustentemos. Conhecendo a natureza do que é real, o sábio não sustenta pensamentos de tristeza.

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07 abril 2008

Sete Leis da Sincronicidade para começar a ver a Mágica da Vida

1. Meu espírito é um campo de possibilidades infinitas que conecta tudo o mais. Esta frase resume a totalidade do que estou expondo. Se você esquecer tudo o mais, lembre-se apenas disso


2. Meu dialogo interno reflete meu poder interno. O dialogo interno das pessoas auto- realizadas pode ser descrito assim: é imune a críticas; não tem apego aos resultados; não tem interesse em obter poder sobre os outros; não tem medo. Isso porque o ponto de referência é interno, não externo.


3. Minhas intenções tem poder infinito de organização. Se minha intenção vem do nível do silêncio, do espírito, ela traz em si os mecanismos para se concretizar.


4. Relacionamentos são a coisa mais importante na minha vida. E alimentar os relacionamentos é tudo o que importa. As relações são cármicas e quem nós amamos ou odiamos é o espelho de nós mesmos: queremos mais daquelas qualidades que vemos em quem amamos e menos daquelas que identificamos em quem odiamos.


5. Eu sei como atravessar turbulências emocionais. Para chegar ao espírito é preciso ter sobriedade. Não dá para nutrir sentimentos como hostilidade, ciúme, medo, culpa, depressão. Essas são emoções tóxicas. Importante: onde há prazer, há a semente da dor, e vice-versa. O segredo é o movimento: não ficar preso na dor, nem no prazer (que então vira vício). Não se deve reprimir ou evitar a dor, mas tomar responsabilidade sobre ela.


6. Eu abraço o feminino e o masculino em mim. Esta é a dança cósmica, acontecendo no meu próprio eu. A energia masculina: poder, conquista, decisão. A energia feminina: beleza, intuição, cuidado, afeto, sabedoria. Num nível mais profundo, a energia masculina cria, destrói, renova. A energia feminina é puro silêncio, pura intenção, pura sabedoria.


7. Estou alerta para a conspirações das improbabilidades. Tudo o que me acontece de diferente na vida é carmico. É, portanto, um sinal de que posso aprender alguma coisa com aquela experiência. Em toda adversidade há a semente da oportunidade.


Deepak Chopra

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31 março 2008

Vibrações Sutis



Muitas vibrações permeiam a Terra.
Muitas vibrações são emanadas pelos humanos, sejam densas ou sutis.
Tudo é sintonia, semelhante atrai semelhante, pensamento ressona com pensamento de mesma qualidade.
Tudo é ressonância.
As sincronicidades não passam de ressonância.
Inconsciente pessoal e coletivo é ressonância.
Karma é ressonância, ação e reação é ressonância ou diapasão.

Há várias ondas de vibrações sutis emanadas por elevadas consciências siderais permeando o cosmos e a Terra.
Há várias emanações de compaixão serena banhando todo o planeta.
Há vários holofotes de luz consciencial exteriorizados por Conclaves Siderais.
Há várias correntes e cachoeiras de Amor incondicional banhando nosso orbe.

Basta que elevemos a sintonia.
É preciso ligar nossos receptores conscienciais embotados no cofre do coração.
O segredo desse cofre da luz do coração é detonar o orgulho, a vaidade e o egoísmo.
Uma vez destravados estes egos, mesmo que parcialmente, o cofre lentamente inicia a se abrir, e mesmo com suas poucas frestas de luz, começa a sintonizar com as vibrações sutis do Eterno que nos banha.

Cada qual pratica suas orações diariamente.
Não são rituais, não são rezas ou mantras, muito menos vestes, mas a prática do cotidiano, seja de mentir, odiar, roubar, ou seja de abençoar, amar e servir.
Estas são as "orações" que necessitamos para efetuar a conquista de uma sintonia elevada.

É um conjunto do que você faz, com quem anda, onde vai, o que come, o que diz, como trabalha, etc.
Não importa sua situação social, não importa qual seu karma, o seu sofrimento, os problemas, a sua nacionalidade ou sua raça.
Só depende de você, de sua mente e coração.

Não depende de fé, de dúvida ou de ciência, apenas de você consigo mesmo.
Você pode estar no ônibus lotado, na solidão do asilo, no terreno baldio, na creche abandonado, na mansão solitário ou no muro de fuzilamento.

Nem minhas humildes palavras não prestam, elas não valem nada, a não ser para mim mesmo.
Só depende de você consigo mesmo.
E talvez não consiga de um momento para outro e precisará perseverar.
Também não há fórmula ou receita e pouco posso, além disto, escrever.

Até mesmo as viagens astrais lúcidas e rememoradas são fáceis na futilidade, subterfúgio e vaidade do projetor consciente, que na maioria das vezes é incompetente em viajar para dentro de si mesmo.
Viajar para fora de si é fácil, mas a viagem intraconsciencial profunda faz desmoronar egos graníticos.
Falar ou gritar é fácil, mas ouvir a voz do coração no silêncio das horas de si mesmo, não é para qualquer um.

Isto faria e fará muitos vulcões humanos desmoronarem de joelhos em prantos desvairados.
Explodirá os rótulos, posturas intelectuais, bases científicas, doutrinas, filosofias, grupos e incontáveis formas de manifestações dos temporais egos humanos.

Só depois de despencar ladeira evolutiva abaixo, se sentindo nos vales mais profundos, começará a caminhar de verdade.
Mais lento, mais firme, mais brilhante e mais seguro, pois detonou a casca que bloqueava a sintonia elevada e agora pode assumir a si mesmo e suas fraquezas, transformadas após a cirurgia consciencial visceral do autoconhecimento arrebatador.

Agora sim, sintonizou o dial de seu coração e mente e pode receber as vibrações sutis e sintonizar com elas.

Ainda não virou santo, ainda possui muitos egos, ainda têm rompantes, mas iniciou o aprendizado em viajar para dentro de si mesmo e abrir sua antena parabólica no canal do amor sutil do coração-consciência.

Paz, Amor e Luz,
Dalton Campos Roque - http://www.consciencial.org -
http://www.ramatis.org - http://www.websitearte.com

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29 março 2008

A felicidade é minha natureza essencial

Entrevista com Glória Arieira

O Atma - Quando começou seu interesse pela filosofia hindu?
Num momento de busca pessoal. Procurava nos livros e em palestras um caminho. Foi quando, em 1973, conheci o Swámi Chinmayánanda. As palavras dele chegaram a mim com muita força: "Deus não é uma questão de fé, e sim de conhecimento", e "a natureza essencial do indivíduo é a identificação com Deus", por exemplo. Todos os ensinamentos dele fizeram sentido para mim. Quatro meses depois, resolvi me mudar para a Índia com meu marido e estudar Vedanta, a parte final dos Vedas, os textos sagrados hindus. Esse conhecimento, que foi passado oralmente há mais de 5 mil anos antes de Cristo, deve ser mantido inalterado. Daí a sua tradição oral. O Swami Dayananda foi o meu mestre.


O Atma - Por quê você resolveu dar aulas de Vedanta?
Eu estava vivendo há quase cinco anos na Índia. Estava totalmente adaptada e identificada com a filosofia de vida desse país. Quando pensei: por quê nasci no Brasil? Deve existir alguma razão para isso. Sentia-me segura sobre o conhecimento que adquiri. Estava tudo muito claro para mim. Nesse momento, resolvi voltar. Já no Rio, fui convidada a dar palestras sobre o assunto e as aulas começaram como um processo natural.


O Atma - Qual a relação de Vedanta com meditação?
A meditação é um instrumento para assimilação do conhecimento, o objeto de contemplação daquilo que foi estudado. Traz a sua mente de volta sem o uso da lógica e vê a verdade daquelas palavras ouvidas, os ensinamentos.


O Atma - Você medita com freqüência?
Sim. Existem várias técnicas de meditação que ensino aos meus alunos, como por exemplo: a observação do silêncio, a repetição de um mantra, etc. Mas o que é mais importante é levar uma vida meditativa, ou seja, que ela seja um processo natural durante a vida, com a atenção nos atos e nas palavras.


O Atma - O que é necessário para alguém meditar?
O pré-requisito é querer muito, sinceramente. Dessa forma é possível praticar a meditação, pois meditar é um ato de amor. Ou existe amor ou não existe. Ninguém pode forçar alguém a amar o outro. A meditação não funciona a não ser que se deseje naturalmente. Não pode ser forçada.


O Atma - Você tem três filhos, dois deles adolescentes. Eles meditam?
O espírito da cultura vêdica eles possuem: visão de Deus, orações e valores. A forma a princípio pode ser considerada estrangeira, mas sua essência, o coração, é universal, pois a religiosidade é universal.


O Atma - Qual a importância do conhecimento do Vedanta em sua vida?
Tornou-se mais fácil lidar com o mundo. A vida passa a ser simples. Não existe expectativa no mundo. Não espero que o mundo me faça feliz. A felicidade é minha natureza essencial.



"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta" Camille Claudel, 1886



"Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado"- Elie Wiesel

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23 março 2008

Os Valores Universais

Gloria Arieira

O ser humano está naturalmente inserido num contexto social, relacionando-se com outros e com situações variadas. Busca uma completa satisfação pessoal, e para isto, tanto quanto para uma plena participação neste mundo, é necessário que seus deveres e direitos estejam bem estabelecidos, valorizados e claros para si mesmo.


Os deveres são tudo aquilo que compete a uma pessoa. Aquilo que deve ser feito por uma determinada pessoa e não por outra, dada a peculiaridade única de cada um. Os direitos, tudo aquilo que vem para nós, se os outros fizerem sua parte, seu papel correspondente. Como por exemplo, se eu faço meu papel de manter meu ambiente de trabalho organizado, meus colegas terão garantidos seus direitos a um lugar agradável.


Deveres e direitos, quando respeitados numa sociedade, trazem ganhos, vantagens para todos. Mas para isto, deve haver o entendimento sobre os deveres específicos de cada um para que possam conseqüentemente ser respeitados.


É esta própria clareza que adequa o ser humano à sociedade, dando-lhe a ferramenta para poder, e não só querer, respeitar a lei para a harmonia entre os seres humanos e consigo mesmo.


Pouca utilidade existe em somente afirmar "faça isto", "não faça aquilo". Enquanto houver controle por parte de outros, pode ser que determinada lei seja seguida. Mas não podemos chamar de valor pois não possui um valor verdadeiro e tão somente temor. Quando são reconhecidos os ganhos que teremos ao seguirmos os chamados valores, e as perdas ao ignorá-los, poderemos então implementá-los à nossa vida.


Temos então que descobrir como são valiosos os valores. Valiosos para nós mesmos e para o bom convívio com os outros.


Valores como a verdade, a não-violência, e tantos outros serão seguidos de maneira natural se os ganhos e as perdas conseqüentes ao segui-los forem analisados.


Quando não há a compreensão adequada dos valores, eles estarão presentes pela metade e seremos capazes de abrir mão deles em determinados momentos, agindo de maneira conveniente, e criando conflitos na mente.


Estar livre de conflitos e em paz é o desejo primordial do ser humano e possível de ser satisfeito ao se descobrir o valor dos valores.


Em um livro muito claro, intitulado "O Valor dos Valores", Swami Dayananda Saraswati nos ensina a apreciar cada valor e adquirir seu valor de forma pessoal e completa.



"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta" Camille Claudel, 1886



"Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado"- Elie Wiesel

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14 março 2008

Será que espíritos existem?

http://drawn.ca/wordpress/wp-content/uploads/2007/11/campion.jpgTenho hoje 58 anos. Esta história aconteceu quando tinha 23 anos, noiva, e trabalhando em uma, malharia, fui para casa em um fim de tarde normal, tomei banho jantei. Vi um pouco de tv. e fui dormir. No meio da noite acordei aos berros, pois não estava enxergando nada e me sentia toda adormecida, meu pai veio correndo ao meu quarto, ligou o interruptor, e deu de cara com um monstro " EU" totalmente inchada e vermelha, eu não sabia como estava mas pelo rosto de espanto de meu pai, a coisa era grave. Ele me juntou do chão, pois tinha caído da parte de cima do beliche, com o pânico que eu estava perdi a noção que estava no beliche. Fomos ao hospital Conceição, lá fui baixada, fizeram todos os tipos de exames e não constataram o porque daquele vermelhidão, fiquei em observação. Me levaram para um quarto com mais duas pacientes, eu no canto do lado da porta uma senhorinha vovozinha branquinha como um lírio no canto da parede junto a janela, que me abriu um sorriso de orelha a orelha, retribui o sorriso cumprimentando-a. E uma senhora mulata magra aparentando uns 38 ou 40 anos, com os olhos esbugalhados olhando bem pra dentro dos meus olhos com cara de brava, sofrida amargurada com olhar de desespero, deitaram-me na cama, ajeitaram-me e saíram do quarto, ai com calma na medida do possível fui analisando tudo ao meu redor, ai foi que me dei conta que estava em um hospital e internada, mas não sabia o porque, pois os médicos até então não sabiam a resultado do meu diagnóstico. A senhora do meio, a mulata, estava com um tubo em sua bexiga, e um recipiente no chão embaixo da cama, urina bem amarelinha, ví isso nitidamente, ela gemia muito e não tirava os olhos de mim, fui ficando mais curiosa ainda e perguntei a ela o que tinha, a única pergunta que fiz a ela, e a única pessoa com quem ela tinha dito uma frase desde o dia que baixou ao hospital. Foi o comentário da vovozinha ao lado. A senhora do meio disse assim pra mim: Estou morrendo salve-me, tire-me daqui, quando olhei para baixo o litro estava repleto de sangue, transbordando. Gritei… mas gritei muito que apareceram não só os enfermeiros como pacientes também para saber o que estava acontecendo. Eu gritando em desespero falei aos enfermeiro, levem-na daqui ela esta morrendo está esvaindo-se em sangue, eles a pegaram e quando estava saindo na porta carregada na maca, ela olhou pra mim com olhos desta vez serenos e disse: Obrigada muito o brigada agora vou descansar em paz, eles não estavam dando bola pra minha dor, e nem minhas súplicas. Ela foi pra UTI. fiquei tranqüila pois sabia que por algum motivo eu fui parar naquele hospital tão longe de onde moro, e que ao lado de minha casa tem o hospital da PUC. A noite chegou e eu dormi, no meio da noite eu levantei para fazer xixi, sentei-me no vaso com a porta aberta, quando levantei a cabeça para puxar a descarga ,olho para a porta e a senhora que tinha ido para UTI estava ali com a mão na porta impedindo minha passagem, perguntei a ela o que estava fazendo ali, pois horas antes a senhora estava mal, ai ela me disse: Agora estou bem, não tenho mais dores pois tu me ajudou e vim te agradecer, mas como sei o estado de pessoas que vão para UTI que não se recuperam assim de uma hora pra outra, assustada eu gritei vá embora vá para a UTI, passei por baixo do braço dela, e fui pra cama correndo apertar a campainha para chamar os enfermeiros. quando eles chegaram eu falei gritando … Que mrd… que porcaria de hospital é esse que deixam o paciente sair da UTI. Aí eles espantados comigo perguntaram: Mas que paciente minha senhora ?!. Não tem ninguém aqui. eles perguntaram, como era o paciente, ai eu disse:
- Aquela senhora que vocês levaram esta noite para a UTI. Eles se olharam com olhares espantados, não falaram nada, me deram um calmante e disseram: Vou lá na UTI ver se o paciente esta lá, e se está tudo bem. Eu dormi profundamente, me acordando com meu pai do meu lado fazendo carinho na minha mão . Eu olhei pra ele e disse pai eu não estou sentindo mais nada me tira daqui. Ele disse: Os médicos também não sabem o que tu teve e não deram laudo nenhum, mas para ter alta tem que constar no boletim alguma coisa eles colocaram intoxicação alimentar. Fomos para casa.
No caminho o meu pai me contou que a senhora tinha morrido assim que saiu do quarto, quando chegou à UTI já estava sem vida. Esta história aconteceu comigo é real e todos do meu convívio sabem dela.


Cleris Regina Souza da Rosa - Porto Alegre, Rio Grande do Sul


via

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21 dezembro 2007

ORAÇÃO - UM CONTO DE NATAL



Querido Bichano: Não quero de maneira nenhuma faltar à tradição, de mais de uma dezena de anos, de nesta época, duplamente festiva para ti, mandar-te a modesta lembrança de umas palavras que, regra geral, pretendem ser alegres, para as publicares no teu número extraordinário de Natal que é também comemorativo do teu aniversário natalício.

Este ano, desculpa, as palavras que te mando não são do bom humor propriamente dito que te caracterizam. A veia humorística deve ter secado e, neste último mês do ano, neste mês do Natal, só me ocorrem ideias sérias, o que não quer dizer necessariamente que sejam tristes.

E como é certo que de vez em quando abres um parêntesis na tua boa disposição - como tu próprio costumas dizer - e apresentas uma nota séria, atrevo-me a pedir-te também que faças um pequeno intervalo na tua habitual alegria e dês generosamente guarida às minhas palavras deste ano que vão pretender contar a traços largos uma pequenina e verdadeira história de Natal que por ser eminentemente cristã será certamente uma história cheia de alegria.





Nado e criado em Lisboa, não sei ao certo por que razão - talvez uma razão ancestral - tive sempre a paixão do campo. E nos dias longos do Natal, que infelizmente tão depressa passam, gosto de refugiar-me na província, ao calor da lareira, rodeado da família e de amigos.

Nunca quis ser como aquele menino da cidade a quem um dia perguntaram onde crescia a erva. E ele respondeu muito ancho: "A erva cresce nos telhados". Coitado do garoto, certamente pálido e enfezado, da sua mansarda urbana só via a erva nos telhados vizinhos e desconhecia, tristemente, a erva livre e vigorosa dos campos.

Pois eu, felizmente, desde muito novo que sei que o lugar próprio para crescer a erva é nos campos sem fim, fora das cidades, e que só acidentalmente ela deve crescer nos telhados.

E, graças a Deus, também sei que é no campo onde se passam as melhores consoadas.

Há já alguns anos - ainda havia guerra - fui passar as férias do Natal à província e, nestes tempos conturbados, melhor sabia aquele Natal provinciano, tão português, tão cheio de Paz.

Naqueles dias, quase sempre frios e luminosos, dava longos passeios pelo campo e à tardinha visitava a ampla cozinha, onde se preparava toda a espécie de guloseimas próprias da quadra - filhós, coscorões, sonhos, rabanadas e uns fritos deliciosos, recheados de grão, a que chamavam azevias (mas que nada tinham que ver com o peixe do mesmo nome), de que eu petiscava gulosamente, pecadoramente, às escondidas, antes da ceia que só se servia depois da Missa do Galo.

Uma tarde fui dar um lindo passeio até um lugar muito pitoresco, situado num plaino, chamado "Senhora do Tojo", onde havia um frondoso freixo e uma capelinha secular, construída em tempos imemoriais em honra de Nossa Senhora. Contava uma lenda muito antiga que a Mãe de Jesus havia ali aparecido, entre os tojos, também a uns pastorinhos. E logo o povo construiu a capelinha, toda branca, simples e graciosa, rodeada de arcadas em ogiva que davam uma fresca sombra nos dias quentes de verão. Era a capelinha de Nossa senhora do Tojo.

Costumava ir ler para aquele sítio, sentado numa pedra, debaixo de um dos arcos, donde se avistava a silhueta do velho e frondoso freixo.

O lugar era de pastorícia e com frequência pequenos pastores passavam lentamente, ao cair da tarde, conduzindo os seus rebanhos aos redis.

Por mais de uma vez tinha reparado no perfil sereno de um pastorzito de 10 ou 11 anos que, ao baterem as Avé-Marias no campanário da velha igreja da aldeia distante, se descobria respeitosamente, ajoelhava piedosamente e rezava em profunda meditação, ao lado do seu numeroso rebanho que milagrosamente se aquietava enquanto o seu guia estava postado em oração.

Numa tarde, depois da concentrada oração do pequeno pastor, interpelei-o e perguntei-lhe quem era e por que rezava com tanta devoção. O pequeno, de olhar inteligente, disse-me, hesitante, que o pai trabalhava no campo e, com muito acanhamento, acrescentou que rezava pela saúde dos pais, dos irmãos, pelo bem estar de todos... Proferia as palavras lentamente, como que envergonhado, receoso de que não compreendesse a sua grande Fé. Mas animei-o com palavras compreensivas e o pastorzito, de rosto iluminado por dois grandes olhos muito brilhantes, disse-me com entusiasmo: - Rezo com grande fervor o Padre Nosso, o Credo, a Avé-Maria e a Salvé Rainha e depois peço a Deus, com toda a força da minha alma, que me perdoe todos os pecados que devem ser muitos e que me torne cada vez mais perfeito, e agradeço-lhe todos os benefícios que tenho recebido pelos quais me confesso eternamente grato. Peço também a Deus que os meus pais, os meus irmãos, os meus amigos sejam sempre bons, assim como todos os homens, e rogo ainda a Deus que a guerra acabe depressa e que todos os países passem a ter homens bons a governá-los e que os governem tão bem que os povos vizinhos sejam sempre amigos não podendo haver, assim, mais guerras no Mundo.

O petizito calou-se e olhou-me timidamente com os olhos húmidos de comoção.

Afaguei-lhe a cabecita aloirada, cheia de caracóis, parecida com a de outro pastor que um dia Murillo pintou maravilhosamente, e só pude dizer-lhe que era linda a sua oração, que Deus a ouviria com certeza e com a ajuda dos homens haviam de ser vencidas as forças do Mal e em breve teríamos a Paz tão ambicionada.

Despediu-se o garoto e encaminhou-se para a aldeia, conduzindo serenamente o seu rebanho.

Instintivamente acudiu-me ao pensamento a frase evangélica: "Glória a Deus nas Alturas e Paz na Terra aos Homens de Boa vontade".

Estava admirado da ponderação que revelavam as palavras daquela criança, mas lembrei-me que dois mil anos antes outra criança maravilhara ainda mais os Homens pela sua grande sabedoria e não me admirei mais.

Apressei-me então para casa, para as costumadas guloseimas do Natal que me esperavam e me atraíam e pelo caminho rememorei a oração do pequeno pastor - e achei-a tão generosa, tão bela, tão sublime que fiz dela a oração de todos os dias.
Cícero Galvão
Dezembro de 1959




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09 dezembro 2007

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